Uma muralha impenetrável
© Getty Images

O Paraguai está em festa, e não é para menos: depois de 32 anos, o país voltará a disputar uma final de Copa América. Os guaranis derrotaram a Venezuela nos pênaltis ontem à noite e agora enfrentarão o Uruguai pelo título e pela consequente classificação à Copa das Confederações da FIFA Brasil 2003.

Com cinco empates em cinco jogos, os comandados do técnico argentino Gerardo Martino fizeram valer a experiência, a organização e a disciplina tática. Porém, para chegarem à final, foi imprescindível a contribuição do goleiro Justo Villar. Arqueiro de reflexos sólidos, ele teve atuações históricas contra Brasil e Venezuela. Além disso, contou com sorte de vencedor.

Diante do Brasil, as traves e a defesa o ajudaram nos lances em que ele não pôde intervir. Nos penais, ele defendeu a cobrança de Thiago Silva - e ainda contou com outros erros de Elano, André Santos e Fred - para levar os paraguaios às semifinais pela primeira vez desde a mudança de formato em 1993. 

O roteiro foi parecido na noite desta quarta contra a Venezuela. Em um duelo com contornos dramáticos, o Paraguai se impôs sobre um adversário que estava buscando aquele que possivelmente seria o maior triunfo da sua história. "Poderíamos ter chegado muito mais longe, fizemos tudo certo e demos tudo o que tínhamos fisicamente, mas as traves não estiveram do nosso lado", descreve o atacante venezuelano Giancarlo Maldonado.

Em busca de evolução
Os primeiros 90 minutos terminaram sem gols, resultado que se manteve na prorrogação. Quando os penais chegaram, lá estava a figura de Justo Villar, que defendeu a bola batida por Franklin Lucena, o suficiente para definir a partida. 

"Foi tudo muito cansativo, com pênaltis novamente e um desgaste muito grande", resume o goleiro de 34 anos, recentemente contratado pelo Estudiantes de La Plata. "Hoje foi muito difícil manter a partida, pois em nenhum momento encontramos o nosso futebol. Quando vimos que não seria possível, tentamos levar para a loteria dos penais."

Villar tem consciência de que vai ser necessário jogar um pouco melhor na grande decisão. "Não podemos fazer o mesmo que fizemos nestes últimos dias, porque o Uruguai chegou à final jogando bem e tem jogadores importantes", conclui o arqueiro, que quer dar uma grande alegria ao povo paraguaio — alegria que o país não conhece desde 1979, quando conquistou o seu segundo e último título da Copa América.