Aliviado, Mano ainda cobra evolução
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A habitual seriedade ainda estava lá. Mas o fato é que Mano Menezes se mostrou muito relaxado e aliviado na entrevista coletiva após a goleada desta quarta-feira sobre o Equador, que rendeu a classificação para as quartas de final da Copa América. Mesmo sem se empolgar, o treinador pôde analisar com mais tranquilidade o desempenho da equipe e admitiu que a primeira vitória no torneio fez bem para o moral da comissão técnica e, sobretudo, dos jogadores.

"Necessitávamos de uma boa atuação, que não tínhamos feito até então. E a fizemos diante do Equador, em um momento decisivo, que ainda nos deu a oportunidade de conseguir a primeira colocação", comemorou Mano, que manteve sua postura de destacar o coletiva, mesmo se dizendo bastante satisfeito pelos gols marcados por Alexandre Pato e Neymar.

"Sempre disse: quando o coletivo está melhor, certamente a individualidade aparece mais e agora apareceram algumas", afirmou ele. Por outro lado, tratou de conter a empolgação, já pensando no confronto de domingo contra o Paraguai.

"Fizemos um bom jogo, mas temos que fazer mais. Estamos nas quartas, vamos enfrentar um adversário do nosso grupo, sabemos que será muito duro e, para chegar à semifinal, temos que continuar melhorando", reforçou o treinador, lembrando das dificuldades impostas pelos paraguaio no último sábado, quando o Brasil só conseguiu empatar por 2 a 2 aos 45 minutos do segundo tempo, com gol de Fred.

Alívio geral
E Mano Menezes não era o único a se mostrar mais tranquilo. Pressionado pela seca no torneio, Alexandre Pato pareceu tirar um enorme peso das costas ao balançar duas vezes as redes equatorianas. Por isso mesmo, valeu extravasar, gritar e comemorar de forma efusiva os gols. "Comemorei com raiva, mesmo. Queria fazer o gol. Escutei o professor, que falou para eu ficar tranquilo e eu estava. Deu tudo certo. Fiz os dois gols que garantiram a vitória por 4 a 2 e a classificação", comentou.

E apesar da diferença quantitativa no final, para o jogador do Milan, não houve mudanças drásticas em sua forma de atuar. O que ele precisava mesmo, então, era marcar. "Tenho que estar ali na frente e fazer gol. Hoje, voltei para ajudar, como fiz nos primeiros jogos, mas não estava acontecendo o que eu esperava. Continuei ali, lutando e deu tudo certo", disse.

Outro que desencantou foi Neymar. Depois de até levar bronca do treinador, o atacante do Santos se recuperou com seus dois primeiros gols na competição. Segundo ele, tudo normal para um jogador jovem e já bastante cobrado dentro de campo. "Não tenho que provar nada para ninguém", disse o jogador de 19 anos, que evitou responder aos críticos. "(Comemorar com o dedo na orelha) Não foi um recado para ninguém, foi uma brincadeira para um amigo meu. Estou feliz pelo gol e pela vitória", disfarçou.

"Já passei por muitas dificuldades piores do que essa. Jogar mal um jogo acontece com qualquer jogador. Joguei mal, sim (contra o Paraguai), mas dei a volta por cima", avaliou. "Mas sempre fiz o que fiz hoje, tanto no Santos quanto na Seleção. Hoje deu certo, consegui marcar os gols e ajudei. Quero vencer sempre."

Nem tudo são flores
Em meio às comemorações, o goleiro Júlio César era o único jogador do Brasil que destoava. Afinal, a falha no primeiro gol do Equador deixou a Seleção naquele momento em situação delicada, algo que foi contornado mais tarde com a boa participação do ataque. Triste pelo erro, o jogador da Internazionale se deu uma nota baixa, mas garantiu que dará a volta por cima.

"Não foi uma atuação boa. Estive muito abaixo da média. Se fosse o caso, eu me daria nota 1,5 ou 2. Errei de novo, assim como contra a Holanda, mas pelo menos dessa vez o resultado foi bom e o final acabou sendo feliz", analisou o camisa 1, lembrando do jogo em que o Brasil foi eliminado da Copa do Mundo da FIFA 2010 por conta de uma saída errada sua no lance de um dos gols.

"Mas sei do meu potencial. Sou capaz de oferecer muito à Seleção. Não se pode avaliar a atuação de um jogador por uma falha. Logicamente, também sei que os três goleiros que estão aqui têm condições de jogar, mas não temo sair", afirmou.

Apesar das autocríticas, o atleta, um dos mais experientes do grupo de Mano Menezes, comemorou a evolução e a maturidade da equipe. "Mostramos várias coisas boas, como equilíbrio. Mesmo sofrendo o empate duas vezes contra o Equador, tivemos cabeça para ir buscar o resultado", concluiu Júlio César.