Goleador do Raja mira a final

O Raja Casablanca conta com o futebol do experiente atacante Mouhssine Iajour para obter um bom resultado na sua segunda participação na Copa do Mundo de Clubes da FIFA, agora diante da própria torcida. Após iniciar a carreira no gigante marroquino quando tinha apenas 18 anos, Iajour se transferiu para o suíço Chiasso. Em seguida, passou duas temporadas no Charleroi antes de retornar ao país para defender as cores do Wydad, eterno rival do Raja. Em 2012, voltou a vestir a camisa do clube onde tudo começou e conquistou o campeonato nacional, garantindo assim a vaga no Mundial de Clubes que será disputado em dezembro no Marrocos.

Quando mais jovem, Iajour disputou a Copa do Mundo Sub-20 da FIFA Holanda 2005 e marcou três gols para ajudar a levar o país à quarta colocação. "Fui artilheiro da Copa Africana de Nações Sub-20 e o artilheiro do Marrocos no Mundial Sub-20", comentou ele em conversa com o FIFA.com. "Esta Copa do Mundo de Clubes será a minha segunda participação em um torneio internacional. Espero que o mundo inteiro possa se lembrar do Iajour como um goleador que conseguiu furar as melhores defesas", disse, animado.

O atacante de 28 anos relembrou também a competição disputada na Holanda oito anos atrás. "A Copa do Mundo Sub-20 foi o momento de aprender", ponderou. "Por isso, sou um jogador experiente e vou fazer com que a equipe tire proveito disso. Conseguimos chegar entre os melhores e estamos a dois passos da final. O Raja pode chegar à semifinal da Copa do Mundo de Clubes e até mesmo à final", completou.

Para isso, o goleador ambidestro contará com o apoio da torcida do Raja, bem conhecida pelo calor que emana das arquibancadas. "Os torcedores estão com sede de vitória, principalmente em uma competição como esta", destacou. "Não é fácil se classificar para a Copa do Mundo, nem os maiores clubes participam todos os anos. Alguns participaram uma única vez e outros nenhuma. Portanto, precisamos provar que merecemos estar lá. Vamos enfrentar equipes que conquistaram as respectivas competições continentais e não estão aqui por acaso", disse o atacante sobre os adversários. "O Raja é conhecido por elevar o seu nível de jogo nos grandes encontros. Esperamos honrar todos os torcedores marroquinos como se esta fosse a nossa última participação no torneio."

Começo difícil
O Raja inicia a competição diante do neozelandês Auckland, que já conta com quatro participações no torneio. Apesar dessa experiência, Iajour acredita que o Raja seja favorito para o duelo, já que atuará dentro de casa com o apoio do público. "Precisamos ganhar o primeiro jogo, pois somos os organizadores do torneio e o público espera bastante de nós", apontou sem rodeios. "A partida de estreia vai determinar a sequência da competição, e uma derrota decepcionaria a todos. A nossa enorme torcida espera ver o clube conquistar a sua primeira vitória na competição. Isso nos permitiria chegar às quartas de final e, em seguida, enfrentar o Atlético Mineiro na semi", projeta.

Além disso, o time neozelandês não é desconhecido para Iajour e os seus companheiros de time. "Acompanhamos as edições anteriores e estudamos essa grande equipe, que conta com diversos profissionais no elenco", contou. "O Auckland conseguiu deixar uma marca nessa competição e a classificação para o Marrocos 2013 demonstra que se trata de uma equipe de nível internacional, então precisamos ter cuidado."

No caminho dos grandes
Clubes como Bayern de Munique, Atlético Mineiro, Monterrey — que ficou em terceiro lugar na última edição — e Al Ahly, que participa da Copa do Mundo de Clubes pela quinta vez, desfilarão nos gramados marroquinos no final do ano. Na sua primeira participação no Mundial, o Raja registrou três derrotas, diante de Corinthians, Real Madrid e do saudita Al Nasr. Por esse motivo, o clube não é favorito, mas Iajour se espelha no desempenho das equipes que disputaram edições anteriores da prova. 

"O futebol não tem nenhuma lógica e não existem mais times pequenos ou grandes", analisou. "Queremos chegar pelo menos à semifinal, espero que possamos enfrentar uma grande equipe e que o Raja ganhe as manchetes na mídia." Do alto de seu 1,78 m, o jogador esbanja confiança. "Vamos conseguir", garante. "Quem apostava que o Mazembe chegaria à final (em 2010)? Os mais otimistas viam a equipe apenas entre os quatro primeiros, mas ela acabou chegando à final, e com todo o mérito. O catariano Al Sadd também terminou entre os quatro, e o Al Ahly também já foi à decisão."

Para satisfazer as ambições da torcida local, no entanto, Iajour precisará acertar o pé, já que até o momento só balançou as redes duas vezes em oito partidas pelo Campeonato Marroquino. A falta de precisão levou alguns analistas a compará-lo com o atacante Karim Benzema, do Real Madrid, que também viveu um período de vacas magras no início da temporada. A comparação fez Iajour sorrir. "É verdade que não fizemos gols por um período relativamente longo de tempo, mas sou decisivo em jogos importantes e isso deve fazer com que eu encontre o caminho das redes na Copa do Mundo", explica. "O meu primeiro objetivo é fazer gols, mas o treinador pede que eu também procure criar oportunidades para os companheiros. Sei que ficarei entre os artilheiros da competição."

Assim, Iajour espera repetir o feito da Copa Africana de Nações Sub-20 2005, quando terminou na artilharia com quatro gols marcados. Agora, o objetivo individual é receber a Chuteira de Ouro adidas no mês que vem. "Todos os jovens sonham em eternizar seu nome entre os artilheiros de uma grande competição", defende. "Fui um dos artilheiros da Copa do Mundo Sub-20 da FIFA e da CAN Sub-20, por que não poderia fazer isso também no Mundial de Clubes? Agora, é verdade que a tarefa parece difícil contra jogadores como Ronaldinho Gaúcho e Mario Mandzukic e diante de goleiros como o Manuel Neuer."

Por fim, Iajour destacou a importância do apoio dos torcedores. "A maior parte das grandes equipes tiram a sua motivação e eficiência da torcida", avalia. "No Raja, a torcida é realmente enorme e nos apoia em todos os lugares onde jogamos, então não deve ser diferente na Copa do Mundo. O fato de a competição ser sediada no Marrocos é um fator favorável para nós. Espero que entremos para a história da Copa do Mundo de Clubes de forma positiva", reforçou.