Mikic, o mais japonês dos croatas
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A Copa do Mundo Sub-20 da FIFA 1999 na Nigéria foi importante para revelar os novos talentos da época. Iker Casillas e Xavi, por exemplo, conquistaram naquele ano o primeiro grande título com a seleção espanhola. Ronaldinho e o uruguaio Diego Forlán deram os primeiros passos no futebol internacional, enquanto Rafael Márquez, Ashley Cole e Shinji Ono, com graus variados de sucesso, fizeram o mesmo nas suas seleções.

O que poucos sabem é que, naquele mesmo torneio, vestindo a camisa da Croácia, estava começando a se destacar um lateral direito com nítido perfil brasileiro: Mihael Mikic. O jogador, que passou por Dínamo de Zagreb e Kaiserslautern, entre outros, hoje atua como atacante do Sanfrecce Hiroshima e vem sendo reconhecido pelos colegas como um dos melhores da Copa do Mundo de Clubes da FIFA 2012.

Talvez por isso, apesar da derrota diante do Al Ahly nas quartas de final, o croata de 32 anos mostra-se satisfeito em entrevista ao FIFA.com. "A atmosfera no vestiário é de decepção, mas também de orgulho", diz o jogador. "Jogamos melhor e criamos muitas chances, só nos faltou acertar o passe final. Especialmente eu, que deveria ter jogado melhor."

O sorriso de Mikic contrasta com um hematoma enorme no olho esquerdo, lembrete do jogo de estreia contra o Auckland City em Yokohama. Naquela partida, Mikic foi considerado pelos próprios rivais o principal responsável pela vitória do Sanfrecce por 1 a 0. "Quando atacamos, preciso estar na linha da defesa adversária, mas quando nos defendemos tenho de ficar preso na nossa", explica, dando a entender que o importante é a regularidade.

"Preciso correr muito e gosto de jogar assim, mas é muito difícil", prossegue o lateral, que, apesar da tranquilidade de ter feito um bom trabalho, ainda lamenta o destino de sua equipe na competição. "Trabalhamos duro para realizar o sonho de chegar à semifinal, mas a vida continua. Agora temos de pensar em vencer o próximo jogo, deixando a bandeira do futebol japonês lá no alto e, daí sim, entrar em férias."

Há quatro anos no Japão, Mikic sabe que o duelo diante do Ulsan não será um jogo como qualquer outro. "Vamos enfrentar uma equipe coreana, e todos já conhecem a rivalidade que existe com o futebol japonês, o que torna a partida ainda mais importante. Para nós não é a mesma coisa acabar em quinto ou sexto, e por isso estamos muito motivados. Queremos mostrar ao mundo que temos um futebol melhor do que o deles. Vai ser um jogo difícil, porque eles jogam duro e um pouco sujo. Vou precisar cuidar do meu outro olho!"  

Vida boa em terras nipônicas
As palavras fluem naturalmente da boca de Mikic, jogador tão voluntarioso quanto sincero. Assim, não é nenhuma surpresa o que ele diz sobre a relação com o futebol japonês. "Quando cheguei não esperava este nível, e continuo me surpreendendo todos os dias", confessa. "A cada ano melhora um pouco mais, e fico muito feliz por fazer parte."

Enquanto sonha em terminar a carreira com a camisa do Sanfrecce, o admirador de Ryan Giggs tem o que dizer sobre o país. "A vida no Japão é bonita", elogia. "O povo é muito hospitaleiro ​​e está sempre disposto a ajudar. Acho que as pessoas não imaginam o estilo de vida que se tem e a qualidade do futebol." Ele diz ainda que a paixão pelo esporte é uma questão em separado, que serve para agregar e não para causar problemas. "Faz parte da bela estrutura que foi construída aqui", acrescenta.

Mikic, que curiosamente nunca foi convocado para a seleção do seu país, espera trabalhar como técnico depois de encerrar a carreira. Mas antes, é claro, tem alguns sonhos a alcançar. "Nunca me pergunto por que não aconteceu (a convocação), nem quero ficar olhando para trás, pois hoje sou o torcedor número um da seleção", diz. "Quero conquistar mais dois títulos para me tornar o croata com mais campeonatos da história. Tenho 15, mas Dario Simic tem 16. Preciso de mais um... E depois mais outro."

Após atingir esse objetivo, ele, que agora torce pelo Chelsea na Copa do Mundo de Clubes da FIFA, completará a formação como técnico para se dedicar com tudo ao trabalho. Mikic espera poder assim continuar trabalhando com o futebol do país onde vivem a esposa e as duas filhas... japonesas? "Não, não; nasceram na Croácia", responde, antes de esclarecer.  "As duas foram feitas aqui, então poderíamos dizer que são metade japonesas."