
Um dos casos de maior sucesso do futebol sul-coreano, o Ulsan Hyundai tem sido como um peixe grande em um aquário pequeno, sempre enfrentando dificuldades para levar o seu domínio regional mundo afora.
Mas essa situação poderá mudar no jogo contra o mexicano Monterrey, no próximo domingo, pela Copa do Mundo de Clubes da FIFA. Poucos esperavam que o Ulsan chegasse tão longe quando o time começou a campanha na Liga dos Campeões da Ásia depois terminar apenas em sexto lugar na temporada anterior da liga coreana.
Há três anos, sob o comando de Kim Ho Gon, a equipe não tinha conseguido ir além da fase de grupos do torneio continental. O técnico, que acabara de ser contratado, também havia tido um batismo de fogo ao ver o seu time terminar a competição nacional apenas em oitavo lugar. Foi assim que, quando uma segunda chance surgiu nesta temporada, o técnico, hoje com 61 anos, precisou fazer uma escolha estratégica entre os dois frontes de batalha.
"Não temos como caçar dois coelhos ao mesmo tempo, porque não podemos nos dar ao luxo de perder ambos", disse Kim ao FIFA.com. O Ulsan havia acabado de se sagrar campeão asiático, mas amargava uma sequência de 11 jogos sem vitória no torneio nacional.
"Olhando para trás, é decepcionante perder a chance de defender o título continental na próxima temporada. Mas, se tivéssemos buscado ambos os objetivos, não teríamos atingido nenhum. Então, de certo modo, estamos satisfeitos."
Embora o Ulsan tenha conseguido reagir e terminar a temporada com duas vitórias seguidas na última semana, a arrancada não foi suficiente para garantir uma colocação entre os quatro primeiros. Mas os comandados de Kim ainda têm chance de consagração agora que se preparam para desbravar um território desconhecido.
"Esta é uma chance muito importante para nós, pois os jogadores podem ter boas experiências e ganhar confiança neste nível tão alto", disse Kim. "E, ao mesmo tempo, o clube também pode elevar o seu status por meio deste torneio internacional."
Cetro de ferro
Se a estratégia do técnico é feita de escolha e concentração, a tática se baseia na defesa mais aguerrida e nos contra-ataques mais mortais da liga sul-coreana. Isso é sintetizado pela mídia local como o "futebol do cetro de ferro", termo que compara o estilo de jogo decidido e impiedoso da equipe com uma arma medieval.
De fato, o Ulsan sofreu apenas 29 gols em 30 partidas na última temporada antes de avançar à final do torneio. Os sul-coreanos Kwak Taehwi e Kang Minsoo formaram o cerne da obstinada retaguarda, enquanto Ko Seulki e o colombiano Juan Estiven Vélez, ambos meio-campistas defensivos, foram peças permanentes do 4-2-3-1, esquema preferido de Kim.
Além desses atletas, os meias-atacantes Lee Keunho e Kim Seungyong chegaram depois de um período no Japão, ao passo que Rafinha, que havia atuado com os dois no Gamba Osaka, foi contratado para reforçar o ataque liderado pelo colossal Kim Shinwook.
Apesar de tantos jogadores talentosos, é justo ao dizer que o Ulsan não teria chegado tão longe sem o técnico Kim, que é tido como uma figura paterna dentro do grupo.
"Comecei a carreira de treinador relativamente mais cedo que os meus colegas e sempre soube que futebol é tudo na minha vida", disse Kim, que recebeu um impulso ao levar o prêmio de melhor técnico do ano da Confederação Asiática de Futebol e renovar o contrato com o Ulsan nesta semana.
"Sempre procuro me comunicar com os jogadores falando dos seus pontos fortes e fracos, bem como sobre o futuro deles dentro e fora de campo. Isso me dá outra chance de pensar na minha vida no futebol e em como conduzi-la no futuro."










