Gedo: "A temporada foi uma provação"
© AFP

O atacante egípcio Mohamed Nagy, mais conhecido pelo apelido de "Gedo", já provou que os esforços do Al-Ahly para contratá-lo valeram a pena. Afinal, depois de brilhar com a camisa do Egito conquistando a Copa Africana de Nações 2010, o jogador de 28 anos se transformou numa das referências da equipe do Cairo. Além disso, ele marcou cinco gols decisivos na campanha rumo ao título da última Liga dos Campeões da África, entre eles três nas semifinais contra o nigeriano Sunshine Stars e um na decisão contra o Espérance de Túnis.

Enquanto o Al-Ahly se prepara para representar a África na Copa do Mundo de Clubes da FIFA pela quarta vez, o FIFA.com bateu um papo com Gedo no Japão, onde ele fará a sua primeira participação no torneio. Confira:

FIFA.com: O Al-Ahly está saindo de uma temporada marcada por muitos problemas. Para você, qual foi a maior dificuldade enfrentada pelo clube?
Gedo: Realmente, a temporada foi uma provação. O drama de Port Said, onde 72 torcedores perderam a vida, foi dificílimo de superar. Fui pessoalmente afetado e tivemos muita dificuldade para retomar o futebol. A única coisa que nos fez voltar a campo foi a promessa que fizemos às famílias das vítimas, de vencer a Liga dos Campeões para honrar a memória dos mártires.

Acredita que o triunfo na Liga dos Campeões da África atenuou a dor das famílias desses torcedores?
Espero que sim, embora nada substitua um filho perdido. Tomara que esse título mostre às famílias que as vítimas não perderam a vida à toa. É o mínimo que se pode fazer por elas.

Falemos da final, cujo jogo de ida terminou em 1 a 1 no Egito. Antes da partida na Tunísia, vocês duvidaram das capacidades do Al-Ahly em erguer a taça?
Começamos a partida mais concentrados do que nunca, com o objetivo único de conquistar o título. Claro que cedemos o empate em casa, mas isso acabou nos aliviando, pois não tínhamos mais nada a perder. Demos tudo de nós e acho que fizemos uma das melhores partidas da história do Al-Ahly. Foi uma vitória amplamente merecida.

Os gols que você marcou na competição fizeram a diferença em várias oportunidades. Tinha planos de balançar as redes na final em Túnis, depois de passar em branco no jogo em casa?
O meu objetivo é balançar as redes em todos os jogos, naturalmente. Aquela partida foi muito complicada, mas os meus companheiros se superaram. Sem a ajuda deles, eu jamais teria feito aquele gol. Fui eu quem colocou a bola para dentro, mas o gol foi fruto do trabalho da equipe toda.

Ficou apreensivo antes de formar a dupla de ataque com El Sayed Hamdi contra o Espérance?
De jeito nenhum. Ele é um dos jogadores com quem adoro atuar. Na semifinal contra o Sunshine Stars nos entendemos perfeitamente. É um jogador talentoso, com grande capacidade técnica. Foi ele quem deu o passe para o gol que marquei na Tunísia e foi ele quem empatou o jogo no Egito, na ida. Espero que a nossa parceria seja igualmente produtiva no Japão, senão melhor.

Qual foi o momento mais delicado e o adversário mais cascudo na Liga dos Campeões da África 2012, na sua opinião?
O Stade Malien nos preocupou bastante. No campo deles, tivemos de enfrentar a insegurança de uma instabilidade política. Na partida de volta, no Egito, estávamos perdendo por um gol e precisávamos de três para nos classificarmos. O Aboutrika conseguiu virar o placar milagrosamente ao marcar o terceiro gol dele no jogo, com dois gols nos últimos dez minutos.

Diversos companheiros seus já participaram da Copa do Mundo de Clubes da FIFA no Japão, como Mohamed Aboutrika, Mohamed Barakat, Wael Gomaa e Emad Moteab. Quem será o novo astro que o Al-Ahly vai tirar da cartola este ano?
O clube está repleto de grandes jogadores e é muito difícil destacar um único nome. Sei que podemos chegar bem longe e posso garantir ao público que vamos dar espetáculo.

O Al-Ahly já participou de três edições do Mundial de Clubes, mas para você será uma estreia. Quais times e jogadores você está mais ansioso para encontrar?
Estou muito feliz por estar aqui e disputar a minha primeira competição organizada pela FIFA. Espero que a gente chegue à final para enfrentar o Chelsea e o (Fernando) Torres, que é um dos meus jogadores preferidos.

Os rumores de que você está saindo do Al-Ahly merecem crédito?
Recebi propostas de vários clubes, mas acho que não é hora de falar sobre isso. Será preciso esperar até voltarmos do Japão para ver se o Campeonato Egípcio será retomado. Se não for, devo deixar o clube.