Espérance mira bi histórico
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O segundo jogo da final da Liga dos Campeões da África 2012 será disputado neste sábado no Estádio Olímpico de Radès em Túnis, onde o Espérance espera se tornar apenas o quarto clube africano a conquistar a competição duas vezes seguidas. Ironicamente, o adversário no caminho dos tunisianos é o Al Ahly, do Egito, que já faz parte deste seleto grupo graças aos títulos de 2005 e 2006. Os outros são Mazembe (1967/1968 e 2010/2011) e o Enyimba (2003/2004).

Embora levem uma pequena vantagem para a partida de volta, após o empate em 1 a 1 na cidade de Alexandria, os donos da casa farão de tudo para evitar o destino do rival Sfaxien na decisão de 2006. Naquele ano, o representante da Tunísia também empatou em um gol com o Al Ahly no Egito, mas no segundo jogo perdeu pelo placar mínimo no Estádio de Radès.

Por outro lado, a defesa do Al Ahly sofreu dez gols nas nove partidas que disputou entre a fase de grupos e os mata-matas, e estará novamente desfalcada do lateral esquerdo Sayed Moawad. O jogador da seleção egípcia, que já ficou de fora do primeiro jogo, foi vetado pelo departamento médico por conta de uma inflamação no tendão do joelho. O atleta de 33 anos deve ser substituído por Sherif Abdel Fadil, assim como aconteceu na ida.

Quem também não viajará à capital tunisiana é o atacante marfinense Oussou Konan, ex-Espérance, e o meia Ahmed Shoukri. Enquanto Konan não adquiriu ritmo de jogo suficiente desde que chegou ao Ahly, Shoukri desempenha um papel menor nos planos do técnico Hossam El Badry. Além disso, a equipe enfrenta todas as dificuldades ocasionadas pela paralisação completa do futebol no Egito desde a tragédia no estádio de Porto Said, em fevereiro.

Em entrevista ao FIFA.com, o experiente zagueiro Wael Gomaa se mostrou consciente de que o clube egípcio terá pela frente uma tarefa gigantesca para levantar a taça pela primeira vez desde 2008 e quebrar o próprio recorde de seis títulos continentais. "Será um milagre se ganharmos esse troféu por conta dos muitos problemas que estamos tendo", admitiu o jogador de 37 anos. "Não estamos disputando o Campeonato Egípcio, mal jogamos partidas, não temos a torcida nos nossos jogos... Tudo isso acaba prejudicando a equipe. É evidente que o grupo precisaria ter ritmo de jogo para estar totalmente preparado, mas este não é o caso."

Contudo, Gomaa também vê pontos fortes no time. "Somos melhores individualmente no ataque", comentou o zagueiro. "Assim, se eles vierem para cima para tentar evitar o que aconteceu com o Sfaxien, podemos encontrar brechas atrás e marcar. Acho que a pressão da torcida se voltará contra o Espérance se conseguirmos marcar antes."

Mandantes também têm problemas
A exemplo do que aconteceu no jogo de ida, as autoridades tunisianas também limitaram o número de pessoas que serão admitidas no estádio. Apenas 35 mil ingressos foram disponibilizados na arena com capacidade para públicos de até 65 mil. Além disso, diversos grupos de torcedores de clubes rivais do Espérance já afirmaram que irão à partida para incentivar o Al Ahly.

Dentro de campo, a equipe da casa também terá desfalques. O técnico da seleção tunisiana, Sami Trabelsi, abriu mão de seis atletas do Espérance para um amistoso com a Suíça no meio de semana, mas isso não foi suficiente para evitar novas contusões. A baixa mais recente é do meio-campista Mejdi Traoui. Já o zagueiro ganês Harrison Afful, autor do gol da vitória na final do ano passado, contra o Wydad de Casablanca, e Sameh Derbali estão suspensos. O prodígio Youssef Msakni, de 22 anos, também foi cortado, enquanto o irmão dele, Iheb, e o atacante camaronês Joseph Yannick Ndjeng são dúvida.

Artilheiro da Liga dos Campeões da África com 12 gols, Emmanuel Clottey não pode jogar pelo Espérance porque já defendeu o Chelsea de Berekum na temporada. Contudo, o ganês estará no banco incentivando os companheiros e sonhando em representar o continente na Copa do Mundo de Clubes da FIFA em dezembro. "Não posso jogar, só posso rezar e torcer para vencermos e nos classificarmos ao Mundial de Clubes", disse Clottey. "É um torneio muito importante e todo mundo estará assistindo. Seria fantástico participar." 

O craque do jogo no confronto de ida foi o goleiro Moez Ben Cherifia, que fez algumas defesas providenciais para impedir que o Al Ahly abrisse vantagem. E ele será novamente o homem a ser batido pelo menos uma vez caso os egípcios queiram voltar para casa vitoriosos. Considerando a fase excepecional vivida pelo arqueiro de 21 anos, será uma tarefa e tanto para os oponentes.