Técnico brasileiro aposta no Ulsan
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Pela sexta vez na história, o futebol da Coreia do Sul estará representado na decisão da Liga dos Campeões da Ásia. O Ulsan Hyundai enfrentará os sauditas do Al-Ahli na disputa pelo cobiçado troféu continental e pelo direito de defender o futebol asiático na Copa do Mundo de Clubes da FIFA Japão 2012.

Apesar de a torcida do Al-Ahli também ter confirmado presença na decisão do próximo sábado, os coreanos são os favoritos por fazerem o jogo único da final em casa, no Estádio Munsu. A opinião é do ex-técnico do próprio Al-Ahli, o brasileiro Sérgio Farias.

"Tanto Ulsan como Al-Ahli fizeram ótimas campanhas na Liga dos Campeões da Ásia", afirma o atual treinador do chinês Guangzhou R&F. "Ambos os times têm condições de vencer pelo que mostraram ao chegarem pela primeira vez à grande final. No entanto, aposto no Ulsan porque equipes coreanas normalmente são capazes de manter um ritmo forte de competição devido ao preparo físico superior."

Farias tem conhecimento de causa: o ex-técnico da seleção sub-20 do Brasil trabalhou durante quatro anos no futebol do país. Levou o Pohang Steelers ao título nacional em 2007 e à conquista continental dois anos mais tarde. Na Copa do Mundo de Clubes da FIFA 2009, a sua equipe terminou na terceira colocação, a melhor da história do futebol asiático no torneio, ao lado dos japoneses Urawa Reds, em 2007, e Gamba Osaka, em 2008.

Aos 45 anos, Farias também conhece muito bem o futebol do Oriente Médio. Depois do sucesso no futebol coreano, o brasileiro foi treinar o Al-Ahli em 2010, antes de ser técnico do Al-Wasl, dos Emirados Árabes. Ele assinala a qualidade individual dos atletas como a principal arma do futebol da região, que colocou representantes de três países nas quartas de final da Liga dos Campeões da Ásia deste ano.

"Os sauditas já conquistaram grandes feitos na Liga dos Campeões", diz. "Eles possuem alguns dos jogadores mais habilidosos da Ásia. Os coreanos, porém, conseguem aliar força física à técnica, para que possam obter vantagem sobre os adversários."

Motivações continentais
Com as lembranças da sua conquista asiática pelo Pohang ainda vivas, Farias viu ao assinar com o R&F a possibilidade de conquistar mais títulos continentais na sua carreira. Sob o seu comando, o time, recém-promovido da segunda divisão, realizou a sua primeira campanha na elite chinesa colecionando boas atuações, inclusive duas vitórias sobre o rico rival Guangzhou Evergrande, time treinado pelo italiano Marcello Lippi.

Contando com o futebol dos brasileiros Rafael Coelho, Davi e Jumar, além do atacante Yakubu Ayegbeni (da seleção nigeriana), o R&F terminou a sua primeira temporada entre os grandes na sexta colocação. O resultado satisfez plenamente os torcedores, mas Farias lamenta que o time não tenha obtido classificação para a Liga dos Campeões da Ásia do ano que vem.

"Somos um time novato, e a meta inicial era evitar o rebaixamento", explica. "Mas, graças ao bom trabalho dos jogadores e da comissão técnica, começamos a campanha muito bem, ficando entre os quatro primeiro colocados. Só que sofremos com lesões nas últimas rodadas, o que nos custou caro. Por isso não mantivemos o ritmo e perdemos a classificação para a Liga dos Campeões."

O grande rival do R&F, o Evergrande, conquistou o bicampeonato e ainda conseguiu terminar a sua primeira participação no principal torneio do continente entre os oito melhores — a melhor colocação de um time chinês na Liga dos Campeões desde o Shenhua, em 2007.

"Conquistas em competições continentais incentivam os clubes a se desenvolverem e irem melhor nos torneios nacionais", observa Farias. "Com o bom desempenho do Evergrande na Liga dos Campeões, equipes chinesas continuarão crescendo e contratando grandes jogadores."

Projetando a segunda temporada no futebol chinês, o técnico brasileiro mantém confiança nas chances de o seu time disputar a competição continental. "O Campeonato Chinês está progredindo rapidamente, com clubes investindo cada vez mais tanto no plantel principal como nas categorias de base. Este é um ótimo caminho para o futebol profissional. Continuaremos nos esforçando no próximo ano para obter bons resultados e, principalmente, chegar à Liga dos Campeões."