Tigre sul-coreano quer fazer história
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Se a grande campanha do Ulsan Hyundai até agora na Liga dos Campeões da AFC servir de base, o clube tem tudo para chegar a sua primeira final da principal competição continental asiática. No jogo de ida da semifinal, nesta quarta-feira, 24 de outubro, os Horangi ("Tigres") terão pela frente o Bunyodkor, do Uzbequistão, que também busca um triunfo histórico.

Porém, a equipe do técnico Kim Hogon viajará até Tashkent como a única invicta até agora no torneio. Foram sete vitórias e dois empates, que lhe valeram sua segunda semifinal de Liga dos Campeões. O que chama ainda mais atenção é a quantidade de gols marcados pelo Ulsan, atualmente quinto colocado no Campeonato Sul-Coreano: foram 22 nos nove compromissos. Isto faz dos Tigres o segundo melhor ataque da competição, atrás apenas do Al Ittihad saudita, outro dos semifinalistas, com 24.

Apesar de já ter ganhado o campeonato de seu país duas vezes – em 1996 e 2005 – e sido vice em seis ocasiões, o Ulsan ainda não ergueu o troféu continental. O mais perto disso foi em 2006, quando também chegou às semifinais. Na ocasião, o clube foi eliminado pelo rival Jeonbuk Motors, que ganharia o título. Agora, porém, o Ulsan tem uma motivação extra: defender o orgulho da Coreia do Sul, que poderia chegar ao quarto triunfo na competição – um recorde.

Embalo
Disputando a competição apenas pela terceira vez, o Ulsan foi logo impondo seu futebol com desempenhos impressionantes. A estreia na fase de grupos terminou com uma vitória em casa sobre o Guoan de Pequim, por 2 a 1. A seguir, os Tigres empataram com Tóquio e Brisbane Roar e mantiveram a primeira colocação na chave até o final graças a três vitórias consecutivas.

Com uma campanha dessas, o conjunto chegou às oitavas de final como uma força a ser respeitada. E não perdeu o embalo. Primeiro, eliminou o Kashiwa Reysol, campeão japonês, com um emocionante 3 a 2. Em seguida, nas quartas, fez 1 a 0 e 4 a 0 sobre o Al Hilal saudita, credenciando-se para enfrentar o Bunyodkor.

Apesar de ter mostrado qualidade em todo seu elenco, o Ulsan deve seu êxito nesta temporada em grande parte aos jogadores que também defendem a seleção sul-coreana. Guardando a meta, está o goleiro Kim Youngkwang. No comando da zaga, aparece ninguém menos do que o capitão da Coreia do Sul, Kwak Taehwi. No extremo oposto, surgem os atacantes Lee Keunho e Kim Shinwook, que estiveram na recente derrota por 1 a 0 para o Irã nas eliminatórias para o Brasil 2014. Juntos, eles formam um dos setores ofensivos de maior peso na Liga dos Campeões da Ásia.

Para aumentar ainda mais seu poder de ataque, o Ulsan trouxe por empréstimo o brasileiro Rafinha, ex-Gamba Osaka, pouco antes das quartas de final. O centroavante respondeu à confiança imediatamente, marcando três vezes nas duas partidas contra o Al Hilal.

Limite físico
Com tamanha evolução, o Ulsan superou clubes tradicionais, como o Suwon Bluewings e o Jeonbuk Motors, e se tornou a maior fonte de talento para o selecionado nacional. No entanto, seus craques podem estar se tornando vítimas de seu próprio sucesso, já que vêm sendo levados aos limites de sua condição física pelos compromissos tanto pelo clube quanto pela seleção.

O Ulsan ficou apenas em sexto lugar na primeira fase do Campeonato Sul-Coreano e perdeu recentemente para Jeonbuk e Pohang Steelers na segunda etapa. Assim, chega para enfrentar o Bunyodkor precisando se recuperar.

"É preciso admitir que temos alguns problemas físicos por conta de um calendário frenético como este no campeonato nacional e no torneio continental", disse Kim, ex-técnico da seleção sul-coreana. No entanto, com a primeira final continental da história do clube em jogo, o treinador expressou sua determinação em voltar para casa com um triunfo inesquecível. "Nossa estratégia agora é nos concentrar na Liga dos Campeões. Mesmo que estejamos passando por algumas dificuldades com os jogadores que têm compromissos pela seleção, nos prepararemos bem para sair de lá com um bom resultado", concluiu.