Emerson: "Queremos provar nossa força"
© AFP

Em vez de apostar no talento de um ou dois jogadores que desequilibrem, o técnico Tite conseguiu por em prática no Corinthians um futebol de fato coletivo, homogêneo, que torna a soma de todas as suas partes algo maior. O resultado? Melhores defesa e campanha do torneio.

Posto esse contexto, o atacante Emerson, 33, é um dos poucos com carta branca para investir em jogadas individuais, quando a veloz e vertical troca de passes alvinegra não funciona. Foi ele o autor do gol no jogo fora de casa contra o Santos, que deixou o clube em uma situação bem favorável para se garantir na final da Copa Libertadores contra o Boca Juniors.

Aquela noite só não foi completa para porque, antes do apito final, pelo acúmulo de dois amarelos, acabou expulso. Acostumado a decisões, daqueles que gosta dos grandes palcos, o experiente atacante sofreu muito mais na condição de torcedor. Contra o Boca, porém, está de volta.

Mas não é só com Emerson, alguém que construiu sua carreira na Ásia, para onde foi em 2000 e de onde só voltou em 2009 para ser tricampeão brasileiro em seguida por Flamengo, Fluminense e Timão, que os xeneizes devem se preocupar, ele avisa: “Grande parte deste elenco estava na Libertadores do ano passado e sofreu. Parte desta força que temos agora vem da vontade de provarmos que temos condições”. Confira na entrevista:

FIFA.com: Foi mais difícil acompanhar a segunda partida de fora do que disputar a primeira na Vila Belmiro?
Emerson:
Sem dúvida, foi o momento mais difícil até agora. Toda aquela tensão no Pacaembu e  eu não podendo ajudar em campo. Eu gosto e me sinto muito bem em jogos decisivos. Fiquei muito chateado por não estar em campo, mas agora estamos na final. Serão dois jogos especiais na história do Corinthians e vou dar o meu máximo para sairmos com o título.    

Tanto no Flamengo como no Fluminense, você atuou ao lado de jogadores mais renomados, como Adriano, Ibson, Fred e Deco. No Corinthians, o que chama mais a atenção é o coletivo. Seria o melhor time, nesse sentido, do qual participou?
Acredito que a doação de todos os jogadores, inclusive os que ficam como opção no banco, é o nosso diferencial. O foco no trabalho é imenso e isso é mérito do nosso treinador, o Tite. Grande parte deste elenco estava na Libertadores do ano passado e sofreu com aquela eliminação precoce. Parte desta força que temos agora vem da vontade de provarmos que temos condições de ir longe na competição. Felizmente deu tudo certo até agora.    

Por outro lado, você é um dos poucos com liberdade e recursos para dribles e lances individuais, como fez na Vila. Você é incentivado a investir nessas jogadas, como uma válvula de escape quando as tabelas não funcionam?
Sempre foi a minha característica, de arriscar um pouco mais. O atacante tem essa certa liberdade, pois, se cometer um erro de passe, por exemplo, a bola ainda estará longe de nossa área. O Tite trabalha diversas jogadas e em boa parte delas eu tenho a função de ser mais incisivo, buscando diretamente o gol adversário.    

Após breve passagem pelo São Paulo, boa parte de sua carreira se desenvolveu na Ásia. Quando voltou, não era muito conhecido, mas tinha experiência para encarar uma torcida como a do Flamengo. Acha que essa trajetória não muito comum acabou te ajudando a ter o sucesso no retorno?    
Realmente minha trajetória não foi a mais comum, mas são coisas do futebol. É até curioso pensar, mas seu eu não fosse pro Flamengo naquela ocasião talvez não tivesse todo o reconhecimento que tenho agora. Agradeço a Deus por tudo que aconteceu em minha carreira e estou feliz demais no Corinthians. Esta torcida nos carrega no colo e tem participação decisiva nesta grande campanha da Libertadores.          

A  final contra o Boca é um confronto de equipes muito populares em países que amam o futebol. A pressão cresce por isso? Encarar um rival de prestígio, que já bateu tantos brasileiros, intimida ou deixa a final ainda mais instigante?  
A pressão para o Corinthians ganhar a Libertadores já vem de muitos anos, não é algo novo. Estamos preparados para isso e passamos por adversários fortíssimos na competição. Enfrentar o Boca nos deixa ainda mais motivados, porque o título teria um gosto ainda mais especial. Vamos enfrentar uma equipe que já conquistou o título seis vezes. Respeitamos o Boca, mas posso dizer que estamos preparados para tudo que vier pela frente.