Lothar Herbert Matthäus, nome completo do ex-jogador da seleção alemã, nasceu na cidade de Erlangen, no interior da Baviera, em março de 1961. Aos nove anos começou a carreira futebolística que perdura até hoje.
Na bucólica cidadezinha de Herzogenaurach, perto de Nürnberg, na Baviera, sede mundial da Adidas, Loddar, como é conhecido pela mídia sensacionalista, começou a jogar futebol no clube local. Quem poderia imaginar então que o garoto se tornaria um dos melhores jogadores do mundo?
Provavelmente nem o próprio Lothar esperava: ao terminar o curso médio, ele se matriculou em uma escola profissionalizante de Decoração de Interiores. Mas logo percebeu que o seu lugar mesmo era no campo de futebol e não entre quatro paredes de uma loja de móveis.
Primeira experiência profissional
Aos 18 anos, Matthäus foi convocado para a seleção alemã sub-19, momento em que os olhares dos fãs da Bundesliga começaram a se voltar para ele. Em 1979, o jogador se transferiu para o Borussia Mönchengladbach, um dos mais bem-sucedidos times da década de 1970.
Já muito autoconfiante naquela época, o jovem não se deixou impressionar pelos grandes nomes do elenco e convenceu de cara o então técnico Jupp Heynckes (hoje treinador do Bayer Leverkusen). Lothar assumiu a titularidade já na sua primeira temporada no Mönchengladbach e chegou à final da Copa da UEFA contra o Eintracht Frankfurt, quando os borussianos foram derrotados.
Pelas constantes boas atuações no meio-campo ofensivo, Matthäus foi convocado para disputar a Euro 1980 e estreou na seleção alemã com uma vitória sobre a Holanda por 3 a 2. A Alemanha se tornou campeã e Matthäus festejou o primeiro título com a Nationalelf. Dez anos mais tarde teria novamente motivos para comemorar.
Regularidade e qualidade
Nos anos seguintes Matthäus confirmou as suas capacidades técnicas, tanto no clube como na seleção. Apesar de não ter obtido nenhum título com o Borussia, ele voltou a ser convocado para a Copa do Mundo da FIFA 1982 na Espanha. Os experientes Paul Breitner e Bernd Schuster tinham a preferência do técnico como titulares, e Loddar teve que se conformar com o banco de reserva.
A fase de ouro da carreira do jogador começou com a transferência para o Bayern de Munique em 1984. Sob o comando do inesquecível técnico Udo Lattek, ele sucedeu Paul Breitner no meio-campo ofensivo do Bayern e, já no seu primeiro ano, foi campeão alemão pelo clube de Munique. O jovem jogador de Erlangen ganhou ainda mais qualidade e na sua segunda temporada conquistou o bi da Bundesliga, além de vencer a Copa da Alemanha.
Naquele mesmo ano de 1986, Matthäus disputou como titular a Copa do Mundo da FIFA no México, onde, sob o comando técnico de Franz Beckenbauer, e ao lado de Felix Magath na meia-cancha, levou a Alemanha à final contra a Argentina, com vitória portenha por 3 a 2.
Em março de 1987 ele recebeu pela primeira vez a faixa de capitão da seleção. O então técnico Franz Beckenbauer confiava cegamente no meio-campista, que correspondia à confiança com exibições cada vez melhores.
Grande sucesso na Itália
Depois de conquistar o terceiro título alemão em 1987 com o Bayern, Matthäus se transferiu para a Internazionale de Milão. Giovanni Trapattoni era o técnico da Inter na época, e com ele o jogador alemão se transformou em um astro mundial. Logo na sua primeira temporada no campeonato nacional mais competitivo do planeta, Matthäus conquistou o Scudetto com a Inter.
Um ano depois veio o ponto alto da carreira. Na Copa do Mundo da FIFA Itália 1990, ele comandou a seleção de forma excepcional para a conquista daquele que seria o terceiro título mundial da Alemanha. No mesmo ano foi eleito o melhor jogador do seu país, da Europa e do mundo. Um ano depois, foi o primeiro atleta a receber o título de Jogador do Ano da FIFA.
Retorno à Alemanha
Após romper os ligamentos em uma lesão séria, o jogador retornou à Bundesliga em setembro de 1992, novamente para atuar no Bayern, mas em uma função defensiva como volante. Tendo Franz Beckenbauer como mentor, ele pôde festejar mais um título alemão em 1994. No entanto, o mesmo ano trouxe uma grande decepção: a Alemanha foi eliminada nas quartas-de-final da Copa do Mundo da FIFA pela Bulgária.
Em 1995, aos 34 anos, Matthäus sofreu rompimento do tendão de Aquiles, ficando muitos meses fora de combate. Alguns comentaristas já o davam como acabado para o futebol.
Força de vontade inabalável
No entanto, graças à sua inacreditável disciplina e força de vontade, Matthäus voltou à antiga forma física e teve grande participação na conquista da Copa da UEFA pelo Bayern em 1996.
O meio-campista não participou da Euro 1996 na Inglaterra por causa de um desentendimento com Berti Vogts, técnico da seleção naqueles tempos, o que não impediu que, aos 37 anos, fosse convocado para a Copa do Mundo da FIFA 1998 na França. Lá ele disputou o seu 25º jogo em um Mundial, recorde até hoje não superado. Foi contra a Croácia, partida das quartas-de-final que a Alemanha perdeu por 3 a 0.
O seu último grande torneio em 2000 terminou com uma grande decepção. No Campeonato Europeu realizado na Bélgica e Holanda, a seleção alemã foi eliminada já na fase de grupos. O último jogo contra Portugal, com derrota alemã por 3 a 0, representou também o fim de 20 anos de carreira de Lothar Matthäus com a camisa da Nationalelf. Foram 150 partidas e cinco edições da Copa do Mundo da FIFA.
Em setembro de 2000, Matthäus encerrou a carreira de jogador de futebol no Metro Stars dos Estados Unidos.
Nova carreira de técnico
Em 2001, Matthäus assumiu pela primeira vez a função de técnico no Rapid Viena. Posteriormente foi para a Sérvia, onde assumiu o Partizan, conquistando o título nacional e levando a equipe para a Liga dos Campeões. Em janeiro de 2004 chegou a dirigir a seleção húngara, mas, como não conseguiu a classificação para a Copa do Mundo da FIFA 2006, não teve o contrato renovado.
O ex-jogador e agora técnico esteve por pouco tempo no Brasil para treinar o Clube Atlético Paranaense, mas voltou logo à Europa, onde atuou como assistente técnico de Giovanni Trapattoni no Salzburg da Áustria. Recentemente esteve à frente da comissão técnica do Maccabi Netanya de Israel, mas, em 2009, não acertou as bases para a renovação do seu contrato e desde então aguarda uma boa proposta de trabalho.




