Camp Nou, mais que um estádio
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A evolução e o aprimoramento de um estádio costumam refletir fielmente o sucesso esportivo do clube ao qual ele pertence. Um exemplo claríssimo foi a construção do estádio do Futbol Club Barcelona. O antigo campo de Les Corts, inaugurado em 1922 e submetido a várias remodelagens, ficara pequeno. No final da década de 1940, já se escutavam vozes que pediam uma nova instalação de acordo com o auge da equipe azul-grená e o seu crescente apelo social.

A conquista de dois títulos nacionais consecutivos (1948 e 1949) e a contratação do astro húngaro Ladislao Kubala elevaram notavelmente o número de sócios e espectadores interessados em ir ao estádio apreciar autênticos espetáculos ofensivos e aceleraram os trâmites para iniciar as obras de um novo estádio à altura das necessidades do clube. No entanto, foi só com a chegada de Francesc Miró-Sans à presidência do Barça, em 1953, que se deram os passos efetivos e definitivos.

Em 28 de março de 1954, 60 mil pessoas foram à cerimônia de colocação da pedra fundamental da arena que passaria a se chamar, simplesmente, Camp Nou ("Campo Novo" em catalão). A obra dos arquitetos Francesc Mitjans Miró e Josep Soteras Mauri, com a colaboração de Lorenzo García Barbón, foi concluída em três anos, mas deixou o clube endividado por algum tempo.

No dia 24 de setembro de 1957, dia de Nossa Senhora das Mercês, padroeira de Barcelona, a cidade vestiu-se de azul-grená para a inauguração oficial do majestoso estádio que, no entanto, ainda não estava totalmente concluído. Depois de desfiles, atos cerimoniosos, bênçãos e discursos, a equipe azul-grená bateu o Varsóvia por 4 a 2. Eulogio Martínez anotou o primeiro gol da história do estádio.

Kubala, Luis Suárez, Johan Cruyff, Diego Maradona, Bernd Schuster, Romário, Michael Laudrup, Ronald Koeman, Hristo Stoichkov, Ronaldo, Ronaldinho e Samuel Eto'o são só alguns dos muitos astros que tiveram a sua magia magnificada pelo grandioso palco do Camp Nou nos últimos anos.

Além disso, o estádio foi o santuário em que se consagraram duas equipes que fizeram história. Primeiro foi o Dream Team que, na década de 1990, era comandado do banco pelo holandês Cruyff e liderado em campo pelo ainda jovem Josep Guardiola. Aquele grupo conquistou o primeiro título europeu do clube azul-grená e deslumbrou pelo seu estilo de jogo.

Uma década depois, o meio-campista daquele mítico time dos sonhos tornou-se o treinador de uma equipe que consagrou a geração em que ainda brilham Xavi Hernández, Carles Puyol, Andrés Iniesta e Lionel Messi. Assim como o goleador Kubala foi o talento que impulsionou a construção do Camp Nou, o genial Messi fez do mesmo gramado um tapete onde segue encantando o mundo.

Bom futebol e muito mais
O campo ganhou o nome oficial de "Estadi del FC Barcelona", mas popularmente sempre foi conhecido como Camp Nou. Dada a relevância do assunto, na temporada 2000/2001 o clube realizou uma consulta aos sócios em que o apelido venceu e tornou-se oficial.

O coliseu azul-grená já foi submetido a várias remodelagens. A primeira ocorreu antes da Copa do Mundo da FIFA Espanha 1982, com uma ampliação para até 120 mil espectadores. O estádio do Barcelona recebeu a cerimônia de abertura com Argentina e Bélgica, além de uma semifinal e os duelos do Grupo 1 da segunda fase.

Dez anos depois, nos Jogos Olímpicos disputados na cidade, o Camp Nou foi testemunha da primeira e única medalha de ouro da seleção espanhola. Em uma final emocionante, a Espanha bateu a Polônia por 3 a 2 com um gol de Kiko no último minuto, levando a torcida ao delírio.

Dois anos mais tarde, as arquibancadas voltaram a ser remodeladas para adaptarem-se à norma da UEFA que proíbe torcedores de pé, e a capacidade foi reduzida aos atuais 99.354 espectadores. Ainda assim, o Camp Nou continua sendo o maior estádio da Europa, e na temporada 1998/99 foi reconhecido como "estádio cinco estrelas" pela UEFA.

Além de oferecer um espetáculo brilhante no gramado, o Camp Nou também apresenta uma festa inigualável nas arquibancadas. Em ocasiões especiais, a torcida produz uma impecável execução de mosaicos.

O estádio também já serviu de palco para artistas de prestígio internacional, entre os quais Bruce Springsteen, Michael Jackson, Josep Carreiras, Julio Iglesias e U2. Também merece destaque o ato de encontro na visita do papa João Paulo II à Espanha em novembro de 1982.

Se o Barça se gaba de ser mais do que um clube, o Camp Nou também pode se considerar algo mais do que um simples estádio de futebol.