Sampdoria fica órfã de Riccardo Garrone
© Getty Images

O futebol italiano está em luto pela morte do presidente da Sampdoria, Riccardo Garrone. O dirigente faleceu na última segunda-feira em consequência de uma longa doença, a dois dias do seu aniversário de 77 anos.

Magnata do petróleo, pai de seis filhos e presidente do clube genovês desde 2002, Garrone era reconhecido pelo sucesso no mundo dos negócios. Ele era presidente de honra e conselheiro administrativo da ERG, empresa petrolífera fundada pelo pai de Garrone em 1938 e que ele dirigiu com êxito durante quatro décadas até ceder a presidência ao filho Edoardo, em 2003.

Além disso, o empresário italiano era considerado como "o pai" da Sampdoria. De fato, a empresa de Garrone era o patrocinador estampado na camisa do clube desde a temporada 1988/89 e o seu nome permanece ligado às maiores glórias da história da agremiação.

"Riccardo Garone foi um presidente estimado por sua vontade de cooperar, por sua paixão e sua honestidade para o bem do futebol. Sua morte é uma grande perda para a cidade de Gênova e para o futebol italiano", afirmou o presidente da FIFA, Joseph S. Blatter, em carta endereçada a Edoardo Garrone. "A FIFA expressa toda sua condolência pela perda de um homem extraordinário que era guiado por valores humanos e esportivos. Ele foi um exemplo de como devemos viver e gerenciar nosso esporte."

Em 1999, a Sampdoria fazia má campanha no campeonato da Série B e enfrentava graves problemas financeiros. Garrone interveio em meados de 2001, sanou todas as dívidas e no ano seguinte comprou o clube junto à família Mantovani, proprietária desde 1979. Sob a direção de Garrone, a Sampdoria voltou à elite do futebol italiano já em 2003.

A parceria entre Giampaolo Pazzini e Antonio Cassano, considerado como um filho por Garrone, rendeu a classificação para a fase preliminar da Liga dos Campeões da UEFA 2010/11, realizando um antigo sonho da torcida. "É um dos dias mais tristes da minha vida", declarou Cassano ao reagir à notícia do falecimento. "Ele permanecerá no meu coração para sempre." 

Poucos meses após a façanha, um câncer de fígado obrigou Garrone a entregar o comando do clube ao filho. Impotente, ele assistiu ao novo rebaixamento da Sampdoria ao final da temporada 2010/11, depois ao retorno à Série A no ano seguinte.

"Homem reservado, marido, pai, avô, empresário, dirigente esportivo: queremos recordá-lo simplesmente assim, na tribuna sul, com um cachecol no pescoço e os braços levantados para o céu", lia-se em nota publicada pelo clube. "Nós, torcedores da Sampdoria, não o esqueceremos jamais. Adeus e obrigado, presidente."