Há 30 anos, o Brasil perdia sua maior alegria
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"Se há um deus que regula o futebol, esse deus é sobretudo irônico e farsante, e Garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar de tudo e de todos, nos estádios. Mas, como é também um deus cruel, tirou do estonteante Garrincha a faculdade de perceber sua condição de agente divino. Foi um pobre e pequeno mortal que ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas. O pior é que as tristezas voltam, e não há outro Garrincha disponível. Precisa-se de um novo, que nos alimente o sonho."

Em 20 de janeiro de 1983, em Pau Grande, mesma cidade do estado do Rio de Janeiro que o tinha visto nascer 49 anos antes, deixava este mundo Manuel Francisco do Santos, mais conhecido no mundo do futebol como Mané Garrincha.

A citação que encabeça este texto, extraída de uma crônica publicada no Jornal do
Brasil no dia seguinte a sua morte, foi escrita pelo poeta Carlos Drummond de Andrade, que conseguiu expressar com perfeição o que Garrincha significava para a torcida brasileira. Não era à toa que o chamavam de a "Alegria do Povo".

Aos 30 anos de sua morte, o FIFA.com quer fazer uma pequena homenagem a um jogador que, para a maioria dos entendidos no assunto, mais do que o protótipo do ponta-direita, foi o verdadeiro inventor dessa posição. Um jogador que atingiu o auge de sua carreira ao conquistar pela Seleção Brasileira as Copa do Mundo da FIFA da Suécia 1958 e do Chile 1962 – nesta, sendo o protagonista após a lesão de Pelé e ainda um de seus artilheiros.

No entanto, foi o personagem no qual Garrincha se transformou que rendeu, entre outras coisas, dois filmes e uma infinidade de homenagens ao ídolo, como a memorável despedida de seus restos mortais no Maracanã.

Por isto, hoje nós o convidamos a rever o perfil dele na seção "Jogadores clássicos" e assistir a um vídeo de sua carreira para recordar por que a vida de Garrincha marcou a de tanta gente…