Verde é a cor da esperança, o sentimento que levou uma vasta legião de imigrantes italianos às terras brasileiras no início do século 20. Entre eles, havia um pequeno grupo que, saudoso das peladas disputadas no país natal, decidiu vestir verde e fundar o Palmeiras. Nascido como um passatempo, o clube desperta hoje a paixão de cerca de 12 milhões de torcedores em todo o país. O FIFA.com conta agora a história do Verdão, marcada por rivalidades históricas, jogadores míticos e duas grandes eras de supremacia nos gramados.

O nascimento de uma instituição
No início do século 20, a comunidade italiana era muito numerosa em São Paulo. Após a abolição da escravatura no Brasil, em 1888, os imigrantes desembarcaram em massa na movimentada metrópole com a esperança de construírem um futuro melhor na florescente indústria local. A saudade eles matavam em reuniões celebradas com muita massa e música típica, mas ainda havia uma outra paixão que lhes faltava na nova terra.

Desde o final do século anterior, o futebol havia conquistado uma enorme popularidade no país mediterrâneo, e os italianos sentiam falta das peladas que costumavam jogar. Em vez de se associarem a um dos clubes da região, porém, os orgulhosos imigrantes preferiram criar a própria equipe. Foi assim que, em 26 de agosto de 1914, Luigi Cervo, Luigi Marzo, Vicente Ragognetti e Ezequiel Simone fundaram o Palestra Itália.

Incentivado por um pequeno grupo de amigos e familiares, o time estreou no dia 24 de janeiro do ano seguinte, com uma vitória por 2 a 0 sobre o Savoia. A torcida, que rapidamente se transformaria numa legião, teve um motivo ainda maior para comemorar em 1916: a aprovação do clube para disputar o Campeonato Paulista.

O surgimento de um mito
O Palestra Itália, que passou a se chamar Sociedade Esportiva Palmeiras em 1942, já havia conquistado 12 títulos do Paulistão quando superou a Juventus de Turim na final da Copa Rio, torneio internacional disputado por oito times em 1951. Porém, a supremacia do Santos nos anos seguintes deixou o Verdão na fila de espera até 1959, quando Djalma Santos, Chinesinho e o espetacular Julinho colocaram um ponto final no jejum de nove anos sem consagração estadual. Na temporada seguinte, o Palmeiras faturou o seu primeiro título nacional ao golear o Fortaleza na final da Taça Brasil.

Um ano depois, o Verdão caiu de produção e terminou o Campeonato Paulista na quarta colocação, a anos-luz de Pelé e Cia. A solução mais evidente para melhorar a equipe era a contratação de reforços, mas o dinheiro recebido pela venda recente de José Altafini e Chinesinho para o futebol italiano tinha sido investido na renovação do estádio.

Ao técnico Geninho não restou outra opção senão apostar em Ademir da Guia, contratado junto ao Bangu em 1961. Embora filho do lendário Domingos da Guia, Ademir era um jovem reservado que se sentia intimidado no novo clube. O talento, porém, falaria por ele. Foi durante a era de Pelé no Santos que o meia levou o Palmeiras à conquista do Paulistão de 1963 e a cinco títulos nacionais entre 1967 e 1973.

Dezesseis anos e 11 troféus após ter chegado ao Palmeiras, Ademir da Guia se aposentou consagrado como o maior ídolo da história do Verdão. Não que lhe tenham faltado bons companheiros durante o seu reinado no Palestra Itália. Pelo contrário, não só Djalma Santos e Julinho, como também os goleiros Valdir e Leão, o zagueiro Luis Pereira, os meio-campistas Dudu e Leivinha e o atacante César Maluco contribuíram significativamente para a recheada sala de troféus. O time que eles formaram ficou conhecido como a "Academia", cujas glórias permanecem vivas na memória dos palmeirenses.

Apesar da disputa antiga com o Santos, o clube tem uma rivalidade ainda maior com os outros dois integrantes dos chamados "quatro grandes" do futebol paulista. O São Paulo é o adversário do clássico que ficou conhecido como "Choque Rei", enquanto que o duelo entre Corinthians e Palmeiras é sem dúvida um dos mais importantes do mundo.

Foi contra o Corinthians, aliás, que o Verdão encerrou um jejum de 17 anos sem títulos em 1993. Com Roberto Carlos, César Sampaio, Mazinho, Zinho, Edílson, Evair e o temperamental Edmundo vestindo a respeitada camisa verde, a equipe de Vanderlei Luxemburgo goleou o Timão por 4 a 0 diante de mais de 100 mil pessoas no Morumbi e voltou a reinar no Campeonato Paulista. Logo depois, o time derrotou o arquirrival em outra final, desta vez pelo Torneio Rio-São Paulo. Para coroar o ano e o fantástico retorno ao topo do futebol nacional, o Palmeiras levou o Brasileirão para casa. Em 1994, Rivaldo se uniu ao grupo para repetir os títulos estadual e brasileiro, este último com uma nova vitória sobre o Corinthians na decisão.

O tricampeonato paulista em 1996 foi conquistado pelos pés de Rivaldo, Djalminha e Müller. No ano seguinte, o técnico Luiz Felipe Scolari assumiu a equipe, que, liderada pelo meia Alex e pelo atacante Paulo Nunes, conquistou a Copa do Brasil e a Copa Mercosul em 1998 e a Copa Libertadores em 1999.

O momento atual
A pior temporada da história do Palmeiras, em 2002, culminou no rebaixamento para a segunda divisão, embora o clube tenha conseguido voltar à elite logo na primeira tentativa. Em 2008, com Vanderlei Luxemburgo de volta ao comando do time, o Verdão encerrou um jejum de títulos no Paulistão que já durava desde 1996. No retorno de outro treinador vencedor, Felipão, o time conquistaria mais uma Copa do Brasil, em 2012. No mesmo ano, contudo, caiu mais uma vez para a Série B. O retorno se daria mais uma vez de modo imediato. 

O estádio
Propriedade do Palmeiras desde 1920, o Estádio Palestra Itália é mais antigo do que o próprio dono. Construído em 1902, ele foi inaugurado no dia 3 de maio com a vitória do Mackenzie sobre o Germania por 2 a 1 em jogo válido pelo Campeonato Paulista. Apelidado de Parque Antárctica, é um dos mais tradicionais e importantes estádios do Brasil, palco de muitas partidas memoráveis em mais de cem anos de história. Atualmente, o Palestra Itália está em obras, que darão origem à Arena Palestra.