Um pouco de história...
O primeiro time brasileiro a vencer a Copa Intercontinental no seu formato moderno é o estandarte das classes populares não só do Rio de Janeiro, mas também do resto do país. "No Brasil, o povo sofre demais e encontra muitas dificuldades na vida cotidiana, mas quando se trabalha para um clube como o Flamengo, apoiado por mais de 30 milhões de pessoas, a gente esquece os problemas do dia a dia por 90 minutos", explica o ex-treinador Júlio César Leal. "Isso possibilita que superemos as nossas limitações e mantenhamos a nossa vontade de vencer, apesar de não ser nada fácil ganhar um jogo atrás do outro no futebol."

A ideia de superação sempre fez parte da história do clube, que nasceu no número 22 da Praia do Flamengo no dia 17 de novembro de 1895 e conquistou o topo do mundo graças a muita garra e paixão. A casa em que o Flamengo foi fundado mais tarde passou a ser conhecida como a "República da Paz e do Amor", conceito bastante inovador na década de 1920.

O Clube de Regatas do Flamengo, nome oficial da agremiação, foi idealizado por 15 remadores — dos quais oito haviam sobrevivido milagrosamente ao naufrágio da primeira embarcação adquirida pelo grupo — e só passou a se dedicar ao futebol em 1911. A primeira partida oficial aconteceu no dia 3 de maio de 1912 contra o Sport Club Mangueira, com vitória flamenguista por impressionantes 15 a 2.

Desde então, a capital carioca passou a viver ao ritmo dos superclássicos entre Flamengo e Fluminense. O clube das Laranjeiras era o preferido dos torcedores de classe média e atraiu muitos simpatizantes rubro-negros antes que a diretoria do Fla começasse a dividir as suas atenções entre o remo e o esporte bretão. Até hoje, em dias de Fla-Flu, a vida para no Rio e o clima de carnaval toma conta da cidade, com um colorido espetáculo de paixão e futebol como só os brasileiros sabem fazer.

Apesar de ter perdido o primeiro clássico por 3 a 2 — no dia 7 de julho de 1912 diante de 800 torcedores no Estádio das Laranjeiras —, o Flamengo compensou amplamente o tropeço acumulando uma lista invejável de títulos.