Embora as duas últimas temporadas tenham sido decepcionantes, o Paris Saint-Germain continua sendo uma das referências do futebol francês. Em que pese a sua jovem idade, 38 anos, o clube da capital construiu uma galeria de títulos notável. Ainda que não tenha o prestígio de equipes como Reims, Saint-Étienne e Olympique de Marselha, o PSG já fez toda a França sonhar.

O nascimento de uma instituição
O PSG é hoje o time que está há mais tempo ininterruptamente no Campeonato Francês (34 anos), embora seja também um dos clubes mais jovens da elite nacional. Comparado às 136 primaveras do Le Havre, às 127 do Bordeaux ou ainda às 109 do Olympique de Marselha, o Paris Saint-Germain não passa de uma criança.

Nascido no dia 12 de agosto de 1970 da fusão do Racing Club de France com o Stade Sangermanois, o PSG sempre representou tanto Paris quanto a vizinha Saint-Germain-en-Laye. Apoiado por uma grande massa de torcedores, ansiosos por verem um grande clube voltar a orgulhar a capital, a equipe não demorou muito a conhecer uma ascensão meteórica.

Promovido à primeira divisão menos de quatro anos após a sua fundação, o clube Rouge et Bleu (apelido que faz referência às cores do time) viveria já a partir do final dos anos 1970 uma década histórica. Foi um período em que a equipe conheceu os seus primeiros ídolos, como Carlos Bianchi, Mustapha Dahleb, Safet Susic e Luis Fernández, assim como os seus primeiros títulos: duas Copas da França e dois Campeonatos Franceses. Tais conquistas lhe abriram também as portas da Europa para as primeiras emoções dos confrontos continentais, sobretudo contra a Juventus em 1983 e 1989. 

O surgimento de um mito
Ainda assim, o período mais importante da história do PSG teve início nos anos 1990, mais exatamente a partir do momento em que a emissora de televisão Canal + assumiu o controle do clube em maio de 1991, suscitando grandes ambições nos torcedores.

Duas temporadas depois, a equipe do Parc des Princes retornou ao cenário europeu protagonizando uma campanha memorável na qual deixou PAOK, Napoli, Anderlecht e Real Madrid pelo caminho antes de sucumbir na semifinal diante do velho carrasco, a Juventus.

Entre 1992 e 1998, o Paris Saint-Germain disputou duas finais da Recopa Europeia, tendo vencido o Rapid Viena numa delas por 1 a 0, e foi eliminado uma vez na semifinal da Liga dos Campeões e outras duas nessa mesma fase na Copa da UEFA.

No âmbito nacional, os resultados também foram formidáveis, traduzindo-se em um título da liga, três Copas da França, duas Copas da Liga e outras tantas Supercopas.

Naquele tempo, os astros do time brilhavam também nas seleções. Bernard Lama, Alain Roche, Paul Le Guen, Vincent Guérin, David Ginola, Youri Djorkaeff e outros defenderam as cores da França, enquanto figuras como Ricardo Gomes, Valdo, Raí e Leonardo vestiram a camisa do Brasil. No ataque, o liberiano George Weah marcou época com o seu espetacular faro de gol, anotando 55 tentos em 137 partidas.

O momento atual
Para a tristeza da sua numerosa torcida, o PSG nunca mais conseguiu repetir aquele glorioso período. Embora o time tenha conquistado mais três Copas e o Parc des Princes tenha visto passar grandes jogadores como Marco Simone, Jay-Jay Okocha, Nicolas Anelka, Ronaldinho, Gabriel Heinze, Juan Pablo Sorín e Pedro Miguel Pauleta, este o maior artilheiro da sua história, a crise nunca deixou de rondar o clube. Prova disso foram as duas últimas temporadas, nas quais a equipe parisiense se salvou por muito pouco do rebaixamento.

Desde janeiro de 2007, o técnico Paul Le Guen tem a missão de reconstruir o time. Nesta temporada, ele conta com um elenco que mescla a experiência de jogadores como Claude Makelele, Ludovic Giuly e Mateja Kezman com a juventude promissora de Mamadou Sakho, Clément Chantôme, Younousse Sankharé e Guillaume Hoarau. Ao que tudo indica, um grupo equilibrado. Mas em Paris, onde o público é extremamente exigente, nada nunca é simples...

O estádio
Inaugurado em 4 de junho de 1972, o Parc des Princes sempre esteve à frente do seu tempo. Sendo assim, enquanto o resto da França se lançou em um grande programa de renovação dos estádios, o colosso situado na Porte de Saint-Cloud parece ainda se sentir bem à vontade na sua modernidade. Durante muito tempo, ele serviu também de palco para as partidas da seleção francesa.

Projetado pelo arquiteto Roger Taillibert e construído em um único bloco de concreto, "le Parc" tem capacidade para 48.712 espectadores e a particularidade de se parecer com uma tigela, de modo que a ressonância dos cantos entoados pode criar uma atmosfera impressionante. Nas noites de grandes jogos, é possível sentir a estrutura tremer quando os torcedores começam a pular.