O Arsenal Football Club começou pequeno, denominado Dial Square, bem longe da sua sede atual na zona norte de Londres e com o desejo de evitar a tentação do profissionalismo. Mas os anos e décadas posteriores foram marcados por muito crescimento e inúmeros motivos de orgulho. A seguir, o FIFA.com conta a história de um time que detém um recorde de 90 anos ininterruptos na primeira divisão do futebol inglês e nunca deixou de lutar por grandes títulos nacionais e internacionais.
O nascimento
O Dial Square foi fundado por operários de uma fábrica de armas no bairro londrino de Woolwich e estreou com uma vitória de 6 a 0 sobre o Eastern Wanderers em 1886. O clube logo se tornou o Royal Arsenal e, depois de várias visitas a outras equipes no sudeste de Londres, começou a se destacar em competições locais. Entretanto, a equipe se saiu mal nas suas duas primeiras temporadas na FA Cup (a Copa da Inglaterra) e decidiu se profissionalizar. A decisão não foi bem-recebida na capital, e o time foi expulso das competições regionais pela entidade que coordenava o futebol em Londres.
O Woolwich Arsenal, nome que havia adotado, reagiu tornando-se o primeiro clube do sul da cidade a entrar na para a Liga Inglesa de Futebol, decisão que levou alguns jogadores decepcionados a formarem o seu próprio time. Depois de sobreviver a uma falência e a protestos contra a mudança para Highbury, no norte da cidade, o Arsenal (o nome Woolwich ficou para trás em 1914) subiu para a primeira divisão pela segunda vez em 1919, e desde então nunca mais saiu de lá.
O crescimento
O Arsenal virou uma potência nas mãos de Herbert Chapman, que assumiu o comando técnico da equipe em 1925. Pioneiro dentro e fora das quatro linhas, o técnico nascido na região de Yorkshire levou o Arsenal a cinco títulos nacionais e duas Copas da Inglaterra na década de 1930. A superioridade foi conquistada em grande parte graças ao poder ofensivo de Joe Hulme, Jack Lambert, David Jack, Cliff Bastin, Ted Drake e especialmente Alex James.
As décadas de 1940 e 1950 renderam somente um título nacional em cada período aos Gunners, apelido adotado pelo clube. Já a década seguinte deixou a marca nada invejável de nenhum troféu. Mas os gigantes do norte de Londres responderam com força no início da década de 1970. Primeiro, Bob Wilson, Frank McLintock, George Graham e Charlie George levaram a equipe ao título da Inter-Cities Fairs Cup (antecessora da Copa da UEFA e da atual Liga Europa) em 1970. Um ano depois, o time comandado por Bertie Mee conquistou na mesma temporada os títulos do Campeonato Inglês e da Copa da Inglaterra, feito que só havia sido obtido pelo arquirrival Tottenham Hotspur em todo o século 20.
O restante da década foi ruim para o Arsenal, à exceção do título da FA Cup em 1978/79 graças ao goleiro Pat Jennings, ao zagueiro David O'Leary e ao criativo e elegante meia Liam Brady. No entanto, duas equipes magníficas, mas muito diferentes, emergiram nas duas décadas seguintes.
A primeira foi formada após a contratação do técnico George Graham, que construiu uma defesa resistente e temível em 1986, com Lee Dixon, Tony Adams, Steve Bould e Nigel Winterburn. Juntamente com o armador David Rocastle, o jovem ponta Paul Merson e o centroavante Alan Smith, eles ajudaram o Arsenal a conquistar o título nacional em 1989, mas a manchete ficou mesmo com o meia Michael Thomas. O time precisava derrotar o Liverpool por dois gols em Anfield na última rodada para superar o adversário no saldo de gols. O Arsenal conseguiu o triunfo improvável na última bola do jogo, quando Thomas confirmou a vitória por 2 a 0 com aquele que é considerado o gol mais dramático da história da primeira divisão inglesa.
O Arsenal recuperou o título nacional em 1991 e levantou o troféu da antiga Recopa Europeia em 1994 com um gol de Smith na final contra o Parma em Copenhague. Com o goleiro David Seaman complementando uma defesa sólida, a equipe foi chamada de "chata" pelos torcedores adversários. Por outro lado, a torcida dos Gunners se divertia comemorando com gritos de "Arsenal 1 a 0" e vibrava principalmente com o eficiente atacante Ian Wright.
Se com Graham os bons resultados nem sempre vinham acompanhados de belas apresentações, o time comandado por Arsène Wenger desde 1996 é reverenciado pela sua capacidade de emocionar. Com jogadores como Dennis Bergkamp, Patrick Vieira, Emmanuel Petit, Marc Overmars, Freddie Ljungberg, Thierry Henry e Robert Pires, o francês levou o Arsenal aos títulos concomitantes da Premier League e da FA Cup em 1998 e 2002 e a outra conquista do Campeonato Inglês em 2004.
O presente
O Arsenal ficou atrás somente do campeão Chelsea na temporada 2004/05 da Premier League. Nos três anos seguintes, teve de se contentar com a quarta colocação duas vezes e com uma terceira posição. A equipe comandada por Wenger chegou à final da Liga dos Campeões da Europa em 2006 e esteve a menos de 15 minutos do título, mas gols de Samuel Eto'o e do brasileiro Belletti deram a vitória de virada por 2 a 1 e o título ao Barcelona. Com a saída de astros experientes como Vieira e Henry, o Arsenal atualmente tem uma equipe cheia de jovens talentos.
O estádio
O novo e moderno Estádio Emirates foi construído a um custo de 430 milhões de libras e inaugurado em julho de 2006. Com capacidade para 60.355 espectadores sentados, é o segundo maior entre os clubes da primeira divisão inglesa e substituiu o histórico Highbury, que ficava no mesmo bairro e era a casa do Arsenal desde 1913.





