Nos seus 90 anos de vida, o Valencia ganhou um lugar de honra no futebol espanhol mesmo tendo de enfrentar os poderosos Real Madrid e Barcelona. Além disso, deixou a sua marca nas competições continentais europeias. O FIFA.com resume a trajetória do clube.

O nascimento da instituição
No dia 21 de maio de 1918, entraram pela primeira vez em campo os jogadores do recém-criado Valencia Football Club. Meses antes, atletas e torcedores da cidade haviam se reunido no bar Torino para a fundação de um clube que faria história no futebol espanhol.

Apesar da derrota por 1 a 0 no primeiro confronto com o Gimnástico em Castellón, a equipe não demorou a conquistar os primeiros triunfos nos campeonatos regionais. Participou também da Copa da Espanha, maior competição do país antes da criação em 1928 do Campeonato Espanhol, no qual a equipe estreou na segunda divisão para obter o acesso em 1931.

Troféus na Espanha e fora dela
A equipe do Valencia teve os primeiros êxitos com a retomada do futebol logo depois da guerra civil espanhola. Na Copa da Espanha, ficou com os títulos de 1941 e 1949 e com três segundos lugares. Também ganhou o Campeonato Espanhol em 1941-42, 1943-44 e 1946-47 e foi vice-campeã nacional duas vezes. O grande destaque da época foi o setor ofensivo comandado por Edmundo Suárez e Epifanio Fernández, que ganhou o apelido de "ataque elétrico".

A década de 1960 teve outra etapa de sucesso, concentrada nas novas competições europeias. O Valencia superou o Barcelona na antiga Taça das Cidades com Feiras (precursora da Copa da UEFA e da atual Liga Europa) e ficou com os títulos de 1962 e 1963, tendo como destaques Vicente Guillot e o brasileiro Waldo Machado. Chegou também à final em 1964, mas teve o tri impedido pelo Zaragoza.

A fase dourada seguinte ocorreu na década de 1970 com duas figuras que marcaram a história do clube. No comando técnico, o carismático Alfredo Di Stefano conseguiu levar o Valencia ao título nacional logo na sua primeira temporada, em 1970-71. Também esteve perto de conquistar a Copa da Espanha naquele ano, mas viu a equipe ser derrotada pelo Barcelona na final. Um ano depois, o Valencia ficou apenas com o segundo lugar em ambas as competições.

A saída de Di Stefano em 1974 foi sucedida por um período de entressafra até a chegada do artilheiro argentino Mario Alberto Kempes, que marcou dois gols na final da Copa da Espanha em 1979 contra o Real Madrid. Na temporada seguinte, e novamente com Di Stefano como técnico, o Valencia voltou a triunfar com o título da Recopa Europeia diante do Arsenal nos pênaltis. No mesmo ano superou o Nottingham Forest, vencedor da Copa dos Campeões, na final da Supercopa.

Na atualidade
Nos anos seguintes, os sucessos foram ficando escassos e a equipe vagou pelas zonas intermediárias da primeira divisão até ser rebaixada na temporada de 1985-86, 55 anos depois de estrear na categoria de elite. Conseguiu voltar no ano seguinte, mas ficou muitos anos sem erguer um troféu.

Em 1999, com o italiano Claudio Ranieri como técnico, o título da Copa do Rei abriu uma nova etapa de esperança e alegria para a torcida valencianista. No ano seguinte, o time que contava com Gaizka Mendieta e Claudio López chegou até a final da Liga dos Campeões, mas foi derrotado pelo Real Madrid por 3 a 0. Um ano depois, a equipe voltou a cair na decisão da Liga dos Campeões ao perder nos pênaltis para o Bayern do arqueiro Oliver Kahn.

Em 2002, sob o comando de um até então desconhecido Rafael Benítez, o Valencia conquistou o seu quinto título nacional, quebrando um jejum de 31 anos. Ainda com Benítez, o time teve a melhor época dos últimos anos, com três títulos na temporada 2003-2004: Campeonato Espanhol, Copa da UEFA e Supercopa da Europa. A última conquista foi a Copa do Rei em 2008.

O estádio
No dia 20 de maio de 1923 foi inaugurado o Estádio de Mestalla, nova casa do Valencia depois dos primeiros anos em Algirós. No jogo de inauguração, o time da casa superou o Levante por 1 a 0. O estádio passou por várias remodelações após a guerra civil para ampliar a sua capacidade. Em 1957, a cidade sofreu uma enchente e o campo foi bastante afetado. Anos depois, o Mestalla teve a sua maior reforma para sediar partidas da Copa do Mundo da FIFA 1982 e dos Jogos Olímpicos de 1992.

O clube já iniciou a construção do Nou Mestalla, que será um dos estádios mais modernos do mundo todo, com uma cúpula que recria o trajeto do rio Turia pela cidade mediterrânea.