O primeiro título de sua história, conquistado já em sua temporada de estreia, marcou para sempre o vitorioso caminho do Sporting Cristal do Peru, um clube que, em menos de 60 anos de vida, conseguiu se transformar em protagonista permanente do futebol de seu país. O FIFA.com resume sua trajetória a seguir.
O nascimento de uma instituição
O antepassado direto do clube foi o Sporting Tabaco, equipe fundada em 1926 e formada principalmente por operários e empregados da Estanco de Tabaco, uma empresa estatal que, localizada no bairro de Rimac, em Lima, monopolizava a produção de cigarros no Peru. Apesar de ter participado dos campeonatos da primeira divisão na era amadora, o Tabaco nunca ganhou título algum e passou por crises econômicas depois da profissionalização do futebol peruano, em 1951.
Em 1954, a fábrica foi adquirida por empresários peruanos da cervejaria inglesa Backus y Johnston, outra indústria instalada em Rimac. Entre seus diretores, estava Ricardo Bentín Mujica, amante do futebol e frequentador assíduo do Estádio Nacional, que sonhava com a criação de um clube de sua empresa. Foi ele quem iniciou as conversações com a direção da Estanco para salvar o Sporting Tabaco. Dessa maneira, em 13 de dezembro de 1955, nasceu o Sporting Cristal Backus, assim chamado porque "Cristal" era a cerveja mais popular da companhia. O time, em compensação, manteve a mesma camisa azul-celeste que havia caracterizado sua antecessora.
O surgimento de um mito
A polêmica pelo uso publicitário da palavra "Backus" no nome do time durou até o fim dos anos 1960, quando o Sporting já havia conquistado seu lugar no cenário futebolístico peruano a base de títulos, contratações espetaculares e alguns elencos inesquecíveis. Basta dizer que é conhecido como "o clube que nasceu campeão", porque, afinal, obteve a primeira estrela de seu distintivo já na temporada de estreia – em 1956 –, deixando para trás ninguém menos do que o tradicional Alianza Lima, que a partir de então se transformou em um de seus grandes rivais.
Apesar de ter chamado a atenção no início daquela década com as contratações de Alberto Terry, um dos mais habilidosos atacantes do futebol peruano, e do uruguaio Óscar Míguez, campeão mundial em 1950, o Sporting Cristal se superou ao comprar Alberto Gallardo. Rodeado de atletas revelados nas categorias de base do próprio clube – como Orlando de La Torre, Eloy Campos e José del Castillo –, Gallardo marcou 18 gols na campanha do título de 1961, o primeiro dos quatro campeonatos que esse quarteto conquistou no Cristal.
Em 1962, aquela equipe fez uma excursão de 30 jogos que causou impacto na Europa, na África, nos Estados e na China, e valeu ao grupo muitos elogios e apenas três derrotas. Além disso, naquela mesma temporada o clube fez sua estreia na Copa Libertadores, torneio no qual acumulou uma marca ainda não superada de 17 jogos invictos entre as edições desse ano e de 1968 e 69. Apesar dos resultados, em nenhuma conseguiu chegar às semifinais.
Treinado pelo craque brasileiro Didi, aquele Sporting Cristal, que conquistou o Campeonato Peruano de 1968, é talvez o melhor que a torcida celeste jamais viu. De fato, seis de seus jogadores reforçaram a magnifica seleção peruana que brilhou na Copa do Mundo da FIFA México 1970. Além disso, aquele grupo foi a base dos times que ganharam mais dois títulos nacionais, em 1970 e 72 – ambos sobre o poderoso Universitario. Naquela época, surgiu a outra grande rivalidade do Sporting Cristal, hoje reeditada cada vez que se disputa o chamado "Clássico Moderno".
"Era um grupo que gerava emoção e jogava igual em todas as partidas, fossem do campeonato nacional ou internacionais", recordou o argentino Vito Andrés Bártoli, técnico campeão em 1970. "Sempre mostrou seu valor e a trajetória que havia percorrido naqueles anos."
A seguir, veio um período de renovação, mas as badaladas contratações de Héctor Chumpitaz, Percy Rojas y Juan Carlos Oblitas se ajustaram bem à presença de jogadores revelados nas equipes de base, como o goleiro Ramón Quiroga ou o talentoso Julio César Uribe. Então, foram dez os atletas celestes que viajaram à Argentina para o Mundial de 1978. Assim, ninguém estranhou nem o bicampeonato nacional conquistado em 1980 nem os outros dois títulos dessa década.
"O Sporting Cristal é como se fosse minha segunda casa, aquela que eu tanto amo", disse ao FIFA.com há pouco Roberto Palacios, um dos últimos grandes ídolos celestes, ao lado de Nolberto Solano e Jorge Soto, filhos pródigos que encheram o clube de glórias durante a década de 1990. Eles foram os líderes de uma equipe que se consagrou tricampeã em 1996 e esteve perto da consagração continental em 1997, caindo por pouco na final da Libertadores diante do Cruzeiro. Assim, igualou a melhor campanha de uma equipe peruana na competição – o Universitario havia sido vice em 1972 –, algo lógico para o clube que mais vezes representou seu país no torneio.
O momento atual
Soto foi o ponto em comum entre as conquistas do fim do século 20 e do início do 21 – dois Campeonatos Peruanos e três vice-campeonatos. O último título foi em 2005, ano do 50º aniversário de fundação da instituição. A partir desse momento, porém, o Sporting Cristal não conseguiu dar outra volta olímpica, vivendo seu pior momento em 2007. Nesse ano, além de interromper uma impressionante marca de 15 participações consecutivas na Libertadores, só não foi rebaixado por milagre. Nada disto, no entanto, lhe pode tirar o orgulho de ter crescido até ser um dos três clubes mais vitoriosos e populares do Peru.
O estádio
Localizado no bairro limenho de San Martín de Porres, o Estádio Alberto Gallardo – rebatizado assim em 2012 – foi inaugurado em 1960 e tem uma capacidade para 18 mil espectadores. O local, reinaugurado em 1995, pertence ao Instituto Peruano do Esporte, mas o Sporting Cristal tem direito a usufruir dele até 2022.

