Time mais antigo de Roma, a Lazio tem uma história marcada por frequentes altos e baixos em que se sucedem a glória e o rebaixamento, a gestão exemplar e os problemas financeiros, os títulos e os escândalos. Com apenas dois Scudetti no seu salão nobre, o clube não chega a pertencer ao grupo dos mais vitoriosos da Europa, mas costuma ser protagonista tanto no âmbito esportivo quanto fora dele pela impressionante capacidade de superar todas as crises. Além disso, a sua intensa rivalidade com a Roma é um grande clássico do futebol italiano, um dérbi que incendeia a Cidade Eterna a cada temporada.

Os primeiros passos
A Società Sportiva Lazio nasceu no dia 9 de janeiro de 1900 na Piazza della Libertà por iniciativa de nove jovens romanos inspirados pelo ideal esportivo dos Jogos Olímpicos de Atenas 1986. Por essa razão, os membros fundadores e o idealizador do projeto, Luigi Bigiarelli, escolheram o azul e o branco da bandeira grega como as cores do time e a águia romana como o seu símbolo.

A Lazio é, acima de tudo, um clube poliesportivo que engloba 38 disciplinas, o que faz dele um dos mais importantes da Europa. O departamento de futebol foi criado em 1902 e, 25 anos mais tarde, o general Giorgio Vaccaro conseguiu convencer o Partido Nacional Fascista a não incluir a Lazio no agrupamento de times da capital que deu origem à rival Roma. "Um quarto de século depois da Lazio", costumam lembrar com orgulho os torcedores biancocelesti.

Desde então, as rixas com a Roma despertam paixão entre os grupos de seguidores que reivindicam para si a liderança regional. O dérbi do Olímpico, disputado pelo menos duas vezes por ano, se converteu em um confronto quente e animado tanto dentro de campo quanto nas arquibancadas.

O surgimento de um mito
No começo da década de 1930, o presidente Remo Zenobi contratou o atacante Silvio Piola, que se transformaria em um dos maiores jogadores da história do futebol italiano. Ele marcou 274 gols na Série A, dos quais 143 com a camisa da Lazio, que vestiu durante nove temporadas. Em 1937, o clube esteve muito perto de conquistar o título nacional, que acabou ficando com o imbatível Bologna apesar dos 21 gols de Piola.

O conjunto alviceleste esperou até 1958 para vencer o seu primeiro troféu, derrotando a Fiorentina por 1 a 0 na final da Copa da Itália. No começo dos anos 1960, a Lazio enfrentou dificuldades econômicas e oscilou repetidamente entre a Série A e a Série B. Em 1969, porém, o novo presidente Umberto Lenzini viabilizou uma brisa de ar fresco com as contratações de Giuseppe Wilson e Giorgio Chinaglia, dois jovens desconhecidos que desempenhariam papéis decisivos na conquista do primeiro Scudetto da Lazio, em 1974.

Ao voltar à primeira divisão, em 1973, a Lazio do técnico Tommaso Maestrelli terminou no terceiro lugar da tabela com uma equipe formada por jovens oriundos do centro de formação de clube. Esse mesmo plantel, mantido para a temporada seguinte, conquistou um título inesperado à luz da sua situação financeira. Mas o quadro mudaria rapidamente com a doença fatal de Maestrelli, em 1976, e a morte trágica do meia Luciano Re Cecconi em janeiro do ano seguinte.

Em 1980, o clube chegou ao fundo do poço. Diversos ídolos da Lazio, entre eles o goleador Bruno Giordano — que ganhou espaço no time depois que Chinaglia se juntou a Pelé no Cosmos — foram presos após um escândalo envolvendo apostas ilegais. Rebaixada à Série B junto com o Milan, a equipe voltou a enfrentar problemas com apostas em 1985/86. Inicialmente, caiu para a Série C, mas voltou à segunda divisão com nove pontos de punição. No dia 5 de julho de 1987, evitou nova queda graças à vitória de 1 a 0 na eletrizante repescagem que disputou com o Campobasso. Em 1988, voltou à elite comandada pelo técnico Eugenio Fascetti.

Com Sergio Cragnotti na presidência e a chegada do polêmico mas idolatrado Paolo di Canio, a década de 1990 foi a mais frutífera da história do clube. A contratação de astros como Aron Winter, Paul Gascoigne, Diego Fuser e Giuseppe Signori e o surgimento do excepcional Alessandro Nesta levaram a Lazio ao topo da tabela. Cragnotti abriu os cofres e trouxe Christian Vieri, Marcelo Salas, Sinisa Mihajlovic, Dejan Stankovic, Fernando Couto, Juan Sebastián Verón, Roberto Mancini e Pavel Nedved que, sob a batuta de Sven-Göran Eriksson, conquistaram em 1999 a última edição da Recopa Europeia e os títulos do campeonato e da copa nacionais no ano seguinte.

No começo dos anos 2000, os problemas financeiros voltaram a afligir o clube. Para se manter entre os grandes, a Lazio se viu forçada a apostar em contratações mais inteligentes, nos talentos das categorias de base e na boa estreia de Roberto Mancini como treinador.

A situação na atualidade
Claudio Lotito, sucessor de Sergio Cragnotti na presidência, teve de enfrentar uma grave crise financeira e saldar uma dívida que beirava os cem milhões de euros. Mas a Lazio voltou a sair do buraco negociando o pagamento com prazo de 23 anos. As dificuldades administrativas obrigaram o clube a se reforçar com inteligência, como mostrou a contratação do jovem atacante argentino Mauro Zarate, de 21 anos, e a abrir espaço para os atletas do seu centro de formação. A política vem funcionando com perfeição: nesse começo de 2008, os Biancocelesti estão no alto da tabela à frente da eterna rival Roma.

O estádio
A Lazio divide o Estádio Olímpico com a Roma. Construído em 1953 no majestoso Foro Itálico, a arena pertence à prefeitura da capital italiana e foi inaugurada no dia 17 de maio daquele ano por ocasião de uma partida entre a Itália e a Hungria. O local foi o palco das Olimpíadas de 1960 e das edições de 1968 e 1980 da Eurocopa, quando tinha capacidade para 82 mil espectadores.

Em seguida, o estádio foi reformado para o mundial de atletismo em 1987 e para a Copa do Mundo da FIFA organizada na Itália três anos mais tarde. A cobertura das arquibancadas data desse período. No dia 29 de maio de 2009, o Olímpico receberá a final da Liga dos Campeões da UEFA pela quarta vez, após 1977, 1984 e 1996. Ele será reformado para atender às normas de segurança e terá a sua capacidade reduzida para 72.698 pessoas.