Desde o início do atual século, o futebol paraguaio vem sendo permanentemente representado pelo Club Libertad. Os números dizem tudo: de 2002 até agora, o time conquistou oito campeonatos nacionais e foi vice em quatro ocasiões, transformando-se no terceiro mais vitorioso do país, com 13 títulos, atrás apenas dos populares Olímpia e Cerro Porteño.

No entanto, a história do alvinegro vai muito além de seus triunfos recentes, e merece ser contada. O FIFA.com a recapitula a seguir.

O nascimento de uma instituição
Depois da revolução que em 1904 derrubou o governo do nacionalista Partido Colorado, o poder caiu em mãos do Partido Liberal, cujos ideais eram conceitos como "liberdade", "democracia" e "igualdade". Dentro do espírito de renovação que tomou conta da nação, um grupo de jovens de um belo bairro de subúrbio de Assunção decidiu fundar, em suas palavras, "uma associação atlética de exercícios físicos, cujos fins serão fomentar o jogo do football, assim como o desenvolvimento vigoroso da juventude."

Além de "Libertad", os rapazes também consideraram os nomes "Sajonia" ("Saxônia") e "Paraguay", ambos relacionados com os acontecimentos de 1904. No entanto, a primeira opção se impôs por maioria e, em 30 de julho de 1905, nasceu oficialmente o Club Libertad. A escolha das cores de seu uniforme também não gerou dúvidas: a camisa seria branca com listras pretas, a mesma que distingue a equipe até hoje e que deu origem a seu primeiro apelido ("o alvinegro").

O surgimento de um mito
O Libertad foi um dos clubes fundadores da Liga Paraguaia em 1906 e, desde então, um dos protagonistas da competição. Naquele mesmo ano, terminou na terceira colocação, atrás do Guarani e do Olímpia, com quem desenvolveria ao longo do tempo uma forte rivalidade. O encontro entre os dois clubes é conhecido no país como o "clássico branco e preto", pelas cores das camisas de ambos.

O "Gumarelo" – apelido mais comum do clube, mas de origem incerta – voltou a ser terceiro em 1907 e deixou escapar o título em 1909, quando perdeu o jogo-desempate para o Nacional. Nesse ano, cedeu quatro jogadores à primeira seleção nacional do Paraguai, entre os quais se destacava Basiliano Villamayor. O atacante foi símbolo e capitão do conjunto que pôs a primeira estrela sobre o distintivo do Libertad, em 1910.

Os dirigentes da instituição sempre tiveram personalidade forte e deixaram isso claro em 1911, quando retiraram o time da competição por uma epidemia de peste bubônica. O campeonato, porém, continuou e a Liga decidiu rebaixar o Libertad, que retaliou se desvinculando. A seguir, o clube desafiou o Nacional, campeão daquela edição do torneio, e venceu por 3 a 0, o que causou a proibição desse tipo de jogos.

Depois de estar filiado à Associação Paraguaia de Futebol – instituição paralela à Liga Paraguaia – até 1916, o Libertad regressou no ano seguinte, quando conquistou sua segunda taça. Na década de 1920, obteve mais um título e quatro vice-campeonatos. Foi então que ganhou a fama de "embaixador do futebol paraguaio", após uma bem-sucedida excursão que fez, reforçado por jogadores do Guarani, pela Argentina e o Uruguai – apesar de esperadas derrotas para o Boca Juniors e o Nacional de Montevidéu.

Em 1930, a torcida do clube voltou a gritar "campeão!". Nesse ano, o Libertad cedeu nomes como Lino Nessi, Delfín Benítez Cáceres e Aurelio González à seleção paraguaia que disputou a primeira Copa do Mundo da FIFA. O time ganhou um título nacional em 1943 e outro em 1945, ano em que fez outra excursão internacional de peso – desta vez pelo Brasil, onde venceu, entre outros, o São Paulo e o Santos.

Mas os anos dourados do Libertad ainda estavam por vir. Na década de 1950, o clube foi considerado a melhor equipe paraguaia, apesar de só vencer um campeonato (o de 1955). Liderado por Máximo Rolón, artilheiro do torneio por três anos seguidos, o alvinegro foi vice-campeão em 1950, 1952, 1953, 1954 e 1956. Entre 1954 e 1955, disputou 53 jogos, ganhando 38, empatando três e perdendo 12. Seu triunfo internacional de maior destaque foi um 5 a 1 sobre o badalado River Plate de Amadeo Carrizo, Wálter Gómez e Omar Sívori, em 1955.

A seguir, porém, vieram quatro décadas de sofrimento, cujos pontos altos foram o título de 1976 e a grande campanha na Copa Libertadores do ano seguinte, quando chegou à semifinal e acabou eliminado pelo Boca Juniors, futuro campeão sul-americano e mundial.

O momento mais triste da história do clube aconteceu em 1998, quando foi rebaixado pela primeira e única vez até agora. Com o artilheiro Juan Samudio como líder, o "Gumarelo" voltou à primeira divisão já em 2000 e rapidamente voltou a ser protagonista. O responsável pelos títulos foi o técnico argentino Gerardo Martino, que, em 2002, comandou o time a seu primeiro título em 26 anos. Foi o pontapé inicial da segunda era dourada do clube, que ainda dura.

O momento atual
Com Martino e Samudio, o Libertad ganhou os Campeonatos Paraguaios de 2003 e 2006, ano, aliás, em que voltou à semifinal da Libertadores. Na ocasião, a derrota para o Internacional gaúcho, futuro campeão, não desanimou a equipe, que há 11 temporadas vem disputando a competição continental de forma contínua. Já sob o comando do uruguaio Rubén Israel, o clube continuou acumulando títulos e chegou até a bater o recorde de pontos marcados na competição. A última taça – a quinta com o técnico – foi a do Torneio Encerramento de 2012.

O estádio
O Estádio Dr. Nicolás Leoz, batizado assim em homenagem ao atual presidente da CONMEBOL e dirigente da FIFA, foi inaugurado em 2005 e tem uma capacidade para 12 mil pessoas. O primeiro jogo internacional disputado no local foi em março de 2011, pela Libertadores. Então, o Libertad goleou o Universidad San Martín peruano por 5 a 1. Em fevereiro de 2013, foi usado pela primeira vez pela seleção paraguaia, que derrotou El Salvador por 3 a 0.