O ano de 2013 foi bastante peculiar na carreira de Cristiano Ronaldo. É que o português, aos 28 anos, atravessou um curioso jejum de títulos pelo Real Madrid. Apesar disso, a nível individual e com a sua seleção, as coisas foram bem diferentes: em janeiro deste ano, foi capitão da equipa merengue pela primeira vez na carreira, ao mesmo tempo em que brilhou ao levar Portugal para a Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014 após uma sofrida e memorável decisão diante da Suécia.

À base de golos e talento, o capitão luso ganhou o reconhecimento internacional e terminou obtendo um lugar na Seleção Mundial da FIFA/FIFPro, além da Bola de Ouro FIFA, um prêmio "justo e merecido" segundo as palavras de ninguém menos que Lionel Messi, recordista de conquistas e adversário de Cristiano na disputa deste ano, ao lado do francês Franck Ribéry.  

Em um dia que ficará na história pelas suas lágrimas no palco, o português falou em exclusivo com o FIFA.com sobre o prémio, o falecimento de Eusébio, as suas preferências futebolísticas e o momento no Real Madrid, que considera "o melhor clube do mundo". Para todos, o melhor do mundo.

FIFA.com: Parabéns em primeiro lugar. Vimos que ficou muito emocionado ao receber a Bola de Ouro FIFA. O que lhe passou pela cabeça ao escutar o seu nome e o que significou receber o troféu das mãos de Pelé e Michel Platini?
Cristiano Ronaldo: Saber que ganhei trouxe-me muita felicidade e orgulho. Ganhar um prêmio como este representa muito trabalho e dedicação, um esforço de horas incontáveis. Eu queria muito ganhar a minha segunda Bola de Ouro, e recebê-la das mãos de dois ídolos como Pelé e Platini é um privilégio. Agora, espero repetir a dose no próximo ano e ganhar o troféu pela terceira vez.

Além deste prémio, o ano de 2013 teve vários momentos marcantes na sua carreira. Destacaria algum em particular?
Não sei se posso destacar um em específico, acima dos demais. Ah, sim, claro: a classificação para a Copa do Mundo. Acho que esse foi o mais marcante, o mais emotivo. Sim.

Recentemente alcançou a marca de 400 golos como profissional. Qual foi o mais importante de todos e por quê?
Todos os golos são especiais para mim. Obviamente, alguns tiveram melhor sabor que outros porque ocorreram em uma fase importante ou em uma final, mas acho que todos são importantes. Ao menos para mim são, pois fazem parte da minha cultura, de mim... Gosto de marcar golos, e de ver que esses golos são importantes para ganharmos algo. Dito isso, insisto que todos são importantes.

Este é um momento particular para o futebol português. Por um lado, a seleção se classificou para a Copa do Mundo da FIFA que ocorrerá no Brasil, mas por outro acaba de perder uma figura ímpar como Eusébio. Quais são as sensações no meio de tudo isso? 
A minha sensação é de tristeza. Morreu uma pessoa importante para Portugal, uma verdadeira bandeira nacional. Obviamente, isso entristeceu-nos muito, portugueses, e ao mundo inteiro. Mas temos de entender que isso também faz parte da vida. Todos vamos partir daqui algum dia, e por isso temos de olhar as coisas positivas que ocorreram durante o ano. O mesmo vale para a vida dele, que foi um jogador tão importante. Fez muitas coisas positivas e ganhou muitos troféus, tanto pela seleção como em clubes, especialmente no Benfica. É um homem que ficará nos nossos corações para sempre.  

Fazer uma boa Copa do Mundo da FIFA seria uma boa forma de homenageá-lo... 
Esperamos fazer um bom Mundial. Não podemos esquecer de que tivemos uma caminhada muito difícil nas eliminatórias, e que tivemos de enfrentar a Suécia na repescagem em dois jogos complicadíssimos. Obviamente o Mundial vai ser completamente diferente. A preparação será diferente também. Todos nós queríamos chegar lá, principalmente porque vai acontecer no Brasil, pela cultura que tem e por ser o país que mais ama o futebol. Por tudo isso é um orgulho, embora saibamos que vai ser uma competição extremamente difícil. A nossa prioridade é passar da fase de grupos. Depois veremos o que acontece.

Quais são as suas primeiras recordações de uma Copa do Mundo da FIFA?
É difícil dizer, pois já se passaram muitos anos. Eu me lembro de alguns jogos, sim, embora as principais memórias estejam justamente ligadas a jogos do Brasil.

Você já defendeu as cores do Manchester United e atualmente joga no Real Madrid. Existe algum clube mais exigente e importante? 

Estamos falando, na minha opinião, dos dois maiores clubes do mundo. E isso é um motivo de grande orgulho, é claro. No Manchester ganhei títulos importantes, assim como a minha primeira Bola de Ouro. E agora estou no Real Madrid, que é o maior clube do mundo na atualidade e com o qual estou muito identificado. Já estou no Real Madrid há quatro anos e acabo de renovar contrato por mais cinco, pois acho que é o clube ideal para mim, o melhor, e por isso estou muito feliz de poder representá-lo.

O décimo título da Liga dos Campeões é muito esperado pelo Real Madrid. Essa obsessão se transformou em algo que os pressiona?                                                                      
Gera alguma pressão, sim, mas também gera esperança. O Real Madrid tem possibilidades de ganhar a Liga dos Campeões todos os anos, é uma competição extremamente importante e que todos os clubes querem ganhar. Vamos ver se temos um pouco de sorte e se podemos ganhar a décima neste ano, que é o que todos queremos.

Já é sabido que o mundo do futebol admira Cristiano Ronaldo. Mas que jogadores você admira? 
Não vou nomear um especificamente, mas esta geração atual tem grandes jogadores em todas as equipas: os que estão comigo, os que estão no Barcelona, no Bayern de Munique ou em equipas como Manchester e Manchester City. Temos a alegria de poder ver esta nova geração de grandes jogadores. Para nós, que competimos contra eles, é ótimo. E é ótimo também para o futebol. Não queria nomear nenhum em particular porque há muitos que gosto tanto de enfrentar como de assistir.

Para nos despedirmos, queríamos propor uma brincadeira. Por favor, complete a seguinte frase: "em 2014, Cristiano Ronaldo será...' 
(pensativo) Será o mesmo homem que foi em 2013.