Evolução no lado mais belo do futebol
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O futebol feminino protagonizou grandes momentos em 2012. Os principais destaques foram três grandes torneios das seleções principais e de base, nos quais diversos países mostraram a sua capacidade e deixaram clara a situação atual da versão mais bela do esporte mais popular do planeta, que vem evoluindo muito.

Dessa forma, a seleção juvenil francesa repetiu na Copa do Mundo Feminina Sub-17 da FIFA Azerbaijão 2012 o bom desempenho recente da equipe principal e acabou com o domínio asiático em Mundiais dessa categoria. Em meio à expectativa pela cerimônia de gala da Bola de Ouro FIFA 2012, a ex-técnica dos EUA Pia Sundhage enfatizou em entrevista ao FIFA.com a importância dessas competições de base.

"Desde o início da minha carreira no futebol, o que aconteceu há muito tempo, muitas coisas mudaram", afirmou a sueca de 52 anos, que no ano passado levou a seleção dos EUA a conquistar a medalha de ouro olímpica. "Tudo é muito melhor hoje em dia. É muito importante o fato de que atualmente temos o Torneio Olímpico de Futebol Feminino, Mundiais e Eurocopas não apenas para as seleções principais, mas também para as categorias sub-17 e sub-20. Ainda me lembro bem dos velhos tempos. Naquela época, era assim: 'Tudo bem, vocês podem começar a jogar e se divertir com a bola'. Mas queríamos competir e participar de um torneio. Agora temos essas competições, e tudo está evoluindo tão rapidamente."

"Eu gostaria de mencionar um exemplo", prosseguiu Sundhage. "Em 1995, eu jogava na posição de líbero. As equipes hoje se defendem de forma completamente diferente. Se eu tivesse parado de jogar por cinco anos e depois voltado, eu seria ‘velha'. Preciso sempre me manter informada no futebol feminino porque ele se desenvolve muito rápido."

Os tempos mudam
Os resultados da Copa do Mundo Feminina da FIFA Alemanha 2011 e do Torneio Olímpico de Futebol Feminino Londres 2012 mostram que a treinadora tem toda a razão. Ao conversarmos com a americana Abby Wambach, ela lembrou que goleadas por 11 a 0 em jogos de Mundiais parecem fazer parte do passado.

"Estou jogando há dez anos na seleção dos EUA e já pude ver muitos avanços no nosso esporte", comentou a atacante Wambach, medalhista de ouro em Londres 2012. "As equipes de ponta não estão tão distantes das outras quanto antigamente. As seleções que antes não tinham meios, e as jogadoras que não tinham tempo, de se reunir para treinar agora passaram a ter essas condições e o tempo necessário. Todas estão melhorando, e as mulheres de todo o planeta estão tendo mais oportunidades. Isso significa que o futebol está melhorando sem parar. A diferença entre as equipes grandes e as menores está diminuindo continuamente. Foram-se os tempos em que uma seleção vencia uma partida por quatro, cinco ou seis a zero. Em uma Copa do Mundo ou em uma Olimpíada, isso se tornou muito raro."

Evolução a cada ano
Quem também compartilha desta opinião é a superestrela brasileira Marta, que está concorrendo com Wambach e com Alex Morgan na eleição da Jogadora do Ano da FIFA 2012. "Vejo bem como o futebol feminino está mudando a cada ano", comentou a jogadora. "É possível dizer isso ao observarmos diferentes competições que contam com a participação de algumas seleções que normalmente não conseguiriam passar da fase de grupos. As seleções estão se preparando mais e melhor antes dos torneios."

Mas a atleta de 26 anos lembra que ainda há claramente muito potencial no futebol feminino e que ele está longe de estar esgotado. "O que precisamos agora é de mais ligas e campeonatos em todos os países para continuarmos impulsionando esse desenvolvimento."