Marta, estrela infinita
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Marta figurou mais uma vez entre as indicadas a Jogadora do Ano da FIFA. A extraordinária atacante participará da festa em Zurique pela sexta vez consecutiva, após uma temporada de muito sucesso no campeonato profissional dos Estados Unidos, que sofreu uma reformulação este ano. E ela venceu o prêmio pela quarta vez seguida.

A jogadora brasileira assinou contrato com o Los Angeles Sol após a Gala da FIFA do ano passado e estreou com o pé direito nos gramados americanos. A equipe da Califórnia conquistou o título e ela, os prêmios de melhor jogadora e de artilheira do campeonato. Após a temporada regular nos Estados Unidos, Marta foi emprestada ao Santos. Vestindo a famosa camisa alvinegra, ela participou da Copa do Brasil e da primeira edição da Copa Libertadores feminina, vencendo ambos os torneios e alimentando a reputação de ser uma das melhores jogadoras de todos os tempos.

Aos 23 anos, Marta se acostumou a lutar contra todas as adversidades desde que começou a dar os primeiros passos no mundo do futebol. Embora o esporte seja quase uma religião em todo o Brasil, na época em que ela descobriu a sua paixão as meninas não eram incentivadas a jogar bola — um ponto de vista compartilhado pela família da atacante.

Disposta a perseguir o sonho, Marta trocou a sua Dois Riachos (AL) natal pelo Rio de Janeiro aos 14 anos. Jogou no Vasco da Gama e depois no São Martins. Em 2004, transferiu-se para a Europa, rumo à Suécia.

Com apenas 18 anos, longe da família e dos amigos em um país onde a língua e o clima lhe eram completamente estranhos, a determinada jogadora procurou superar os muitos obstáculos que se interpunham no seu caminho simplesmente mostrando o que sabia fazer com uma bola nos pés. Quando a equipe feminina do clube sueco Umea lhe ofereceu a oportunidade que ela não havia encontrado no Brasil, Marta fez de tudo para aproveitá-la ao máximo.

Hoje, a atacante alagoana é uma estrela mundial. Além de ter recebido o glamuroso prêmio de Jogadora do Ano da FIFA em 2006, 2007 e 2008, Marta também já faturou duas medalhas de ouro nos Jogos Panamericanos, uma medalha de prata na Copa do Mundo Feminina da FIFA China 2007 e duas pratas olímpicas com a seleção brasileira, além de ter vencido a Copa da UEFA, quatro títulos do Campeonato Sueco e uma Copa da Suécia com o Umea.

Mesmo assim, é possível arriscar que nenhuma dessas conquistas tenha mexido tanto com Marta quanto o reconhecimento que ela recebeu no Estádio do Maracanã. A camisa 10 imprimiu os seus pés em argamassa na Calçada da Fama do mítico estádio, tornando-se a primeira mulher a dividir espaço com alguns dos grandes craques da história do futebol brasileiro, como Pelé, Garrincha, Zico e Romário.

Uma jogadora completa
O que faz de Marta uma jogadora tão especial? Ela combina velocidade a dribles desconcertantes, capazes de abrir espaço nas defesas mais fechadas. Tem um faro de gols e uma potência de finalização impressionantes, além de ser generosa com os passes e as assistências. Por tudo isso, a brasileira se tornou uma jogadora completa. Discreta longe dos gramados, Marta é a líder da seleção brasileira dentro de campo, esbanjando garra e vitalidade e parecendo imune ao cansaço. O único ponto fraco da atacante talvez esteja no jogo aéreo, já que o seu 1,60 metro de altura não lhe dá muitas opções.

O mundo teve um vislumbre do talento de Marta no Campeonato Mundial Sub-19 Feminino da FIFA Canadá 2002, quando ela tinha apenas 16 anos. Um ano mais tarde, ela voltou a chamar atenção na Copa do Mundo Feminina da FIFA. Embora fosse considerada uma promessa nesses dois torneios, na Olímpiada de Atenas, em 2004, ela já era a estrela indiscutível da Seleção e a grande esperança de medalha do Brasil — após uma final acirradíssima contra os Estados Unidos, as brasileiras acabaram ficando com a prata. Naquele mesmo ano, Marta foi novamente a líder da Seleção no torneio sub-19 disputado na Tailândia e, embora o Brasil tenha ficado em quarto lugar, as atuações brilhantes da atacante lhe renderam a Bola de Ouro adidas.

A Copa do Mundo Feminina da FIFA 2007 selou o nome de Marta entre as melhores jogadoras da modalidade. Embora o Brasil não tenha conquistado a medalha de ouro, o desempenho da atacante na competição disputada na China foi excepcional. Mesmo tendo errado um pênalti em um momento decisivo da final contra a Alemanha, Marta foi sem dúvida a grande estrela do torneio. Com sete gols, ela levou para casa a Chuteira e a Bola de Ouro adidas.

Em 2008, na Olímpiada de Pequim, o Brasil voltou a perder para os Estados Unidos na final. Parece que o ouro está destinado a escapar das mãos de Marta com a camisa verde e amarela, mas ela possui uma esplêndida coleção de importantes prêmios individuais. Depois do bronze em 2004 e da prata em 2005, a brasileira já somava três prêmios de Jogadora do Ano da FIFA. O quarto veio para fazer história.