Inaara Aga Khan: "O futebol é um exemplo maravilhoso"
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Nesta sexta-feira, dia 26 de outubro de 2012, o aspecto humanitário do futebol esteve em foco na sede da FIFA em Zurique. O motivo foi a visita da princesa Inaara The Begum Aga Khan.

A princesa, que é doutora em direito e cujo nome de solteira é Gabriele Renate Homey, se tornou conhecida mundialmente principalmente pela promoção de melhorias nas condições de vida de mulheres e crianças. Em Zurique, ela se encontrou com o presidente da FIFA, Joseph S. Blatter, para uma animada reunião e aproveitou também para conceder uma entrevista exclusiva ao FIFA.com.

FIFA.com: Alteza, o que a trouxe hoje aqui?
Princesa Inaara The Begum Aga Khan:
Desde 2009 sou embaixatriz do programa Football for Hope, algo de que tenho muito orgulho. Eu já havia me encontrado com o presidente da FIFA na África do Sul, na inauguração do primeiro Centro Football for Hope em Khayelitsha. Hoje já há outros desses centros, que são uma fantástica instituição para as muitas crianças que os frequentam todos os dias e recebem aprendizado também em áreas como prevenção de doenças contagiosas. Dessa maneira, elas aprendem a tomar o caminho certo. A FIFA também as ajuda através do Football for Hope, um ótimo projeto que venho acompanhando desde o princípio.

Vossa alteza participa de inúmeras iniciativas de caridade e tem a sua própria organização de ajuda humanitária, a Princess Inaara Foundation...
Cuidamos de muitos projetos em diversos países na minha fundação — entre outros, programas de microcrédito na Índia e zooterapia para crianças doentes e traumatizadas na Alemanha. Para isso, reunimos crianças com animais em situação precária. É um belo projeto.

Qual é a função do futebol no apoio a projetos sociais?
O futebol é o esporte mais popular e mais conhecido do planeta. Quase toda criança aprende a chutar bolas em idades bem tenras e ficam encantadas com isso. Esse entusiasmo possibilita que pessoas de diferentes origens e nacionalidades, que não falam o mesmo idioma, se aproximem através do futebol. Esse espírito de comunidade é decisivo e precisa ser utilizado. E é justamente isso o que a FIFA vem fazendo há muitos anos. Este é um caminho maravilhoso a se seguir, assim como o programa da FIFA "Futebol pela Saúde", que ensina às crianças medidas preventivas — por exemplo, como se comportar com mais higiene e como se proteger de infecções.

Qual é o sentimento quando finalmente é possível começar a ver os resultados de um projeto?
É uma sensação incrível. Ficamos alegres e satisfeitos porque vemos que o projeto está dando certo. As pessoas em Khayelitsha ficaram todas incrivelmente felizes e orgulhosas de que o centro tenha sido fundado lá. Isso é muito positivo e desperta muita alegria.

Vossa alteza também se dedica ao combate à discriminação e ao racismo. Como é possível lutar contra essas mazelas na nossa sociedade?
Na minha opinião, é importante que ídolos, como astros do futebol, transmitam e deem o exemplo de que todos nós temos os mesmos direitos e precisamos acabar com os preconceitos. As pessoas precisam ter coragem para se conhecerem melhor, para entrar mais em contato com a história e a tradição de outras nações.

A FIFA introduziu recentemente o "Aperto de Mãos pela Paz". Qual é a importância de iniciativas como essa no futebol para combater problemas sociais?
O futebol desempenha um papel muito importante. No futebol, existem regras bem determinadas para todos os envolvidos. A lealdade é a palavra de ordem. Todos precisam seguir essas regras. Também faz parte do jogo aceitar as decepções. É assim que uma sociedade deveria ser. O futebol é um exemplo maravilhoso nesse sentido.

E como cada indivíduo pode contribuir para formar um mundo melhor?
Cada um pode contribuir conforme a sua própria capacidade, inclusive sem gastar dinheiro. Conheço, por exemplo, um jovem homem que joga futebol bem e no tempo livre dá treinos para crianças de situações sociais precárias — e de graça. Ele faz isso porque acha divertido, e já fez muita coisa boa dessa forma. Todos podem dar um pouco do seu tempo e energia para os outros. Isso estimula outras pessoas a fazerem o mesmo.