
Uma respeitável lista de dirigentes britânicos se reuniu no Estádio de Wembley nesta terça-feira para uma conferência dedicada à luta contra o racismo e a discriminação. Após uma temporada em que o esporte às vezes foi ofuscado por diversos incidentes dentro e fora de campo na Inglaterra, a FIFA e a organização Kick It Out convidaram várias lideranças do futebol inglês a selarem uma nova parceria de trabalho.
"Abuso em jogo de futebol é algo que continua acontecendo o tempo todo, no mais das vezes por ignorância, ódio e intolerância", afirmou aos 150 convidados o presidente da Kick It Out, lorde Herman Ouseley, cuja instituição completará 20 anos de existência no ano que vem. "As autoridades trabalharam incansavelmente nas últimas duas décadas, e aqueles que estão no comando, tanto em nível local quanto internacionalmente, têm poder para fazerem a diferença. Ainda resta muito a ser feito para erradicarmos o racismo e outras formas de discriminação do nosso esporte."
A Kick It Out se dedica ao combate das diversas facetas do preconceito, da exclusão e da desigualdade, males que afetam as pessoas independentemente de origem social ou circunstância. O próximo a discursar foi o presidente da FIFA, Joseph S. Blatter, que revelou o desejo de adotar o slogan da organização numa iniciativa a ser implementada no mundo todo.
Blatter elogiou o trabalho do grupo de Ouseley, especialmente nas categorias de base. "Existe racismo e discriminação no futebol, e isso está errado", afirmou o suíço. "Queremos trabalhar em parceria com Ouseley e sua equipe para ensinar as pessoas que disciplina, fair play e respeito são devidos não só na presença de um árbitro, mas também na vida cotidiana. Queremos que as pessoas sejam tratadas com equidade independentemente de religião, cultura ou cor da pele."
Primeira mulher nomeada à diretoria da FA inglesa, Heather Rabbatts falou sobre alguns dos desafios que a levaram ao alto escalão do futebol britânico. "Nasci fora do Reino Unido e fui criada aqui, mas enfrentei muitos desafios na jventude", contou. "O futebol é um esporte global que afeta milhões de pessoas no mundo todo. Não tenho dúvida de que, se a família do futebol trabalhar unida para enfrentar essa questão, podemos ganhar. As coisas que nos unem são mais numerosas do aquelas que nos separam."
A reflexão final coube ao presidente da Federação Inglesa de Futebol, David Bernstein, que se dirigiu à plateia formada por representantes de várias entidades de apoio à inclusão social e luta contra a discriminação, além de diretores da Associação Britânica de Técnicos de Futebol. "Sei que o presidente Blatter fala do coração quando aborda o tema", declarou Bernstein.
"Se a última temporada nos mostrou alguma coisa, é que não podemos nos tornar complacentes", prosseguiu o dirigente. "As redes sociais também disponibilizaram uma plataforma para os abusos de cunho discriminatório, e as autoridades do futebol e da justiça deveriam se esforçar para punir os agressores. É um privilégio jogar futebol, e com o privilégio vem a responsabilidade. Os jogadores têm uma responsabilidade social enquanto modelos de conduta, e quero aproveitar a oportunidade para lembrar a todos do papel que precisam desempenhar."



