Gana vê nascer uma nova esperança

O município de Cape Coast, no litoral de Gana, assistiu neste sábado à inauguração do Oguaa Football for Hope Centre, a mais nova instalação do programa Football for Hope da FIFA. Fundada pelos portugueses e conhecida como Oguaa na língua local, a cidade foi a escolha perfeita. Capital de Gana até 1876, ela é famosa em toda a nação pela produção universitária. Além disso, é a sede do Excelsior, primeiro clube de futebol do país, criado em 1903. A inovação faz parte da história de Cape Coast, e quem é da cidade é facilmente reconhecível pela gíria e pela mistura frequente do inglês com o dialeto fante.

A cerimônia de inauguração do centro contou com as presenças ilustres do omanhen de Oguaa, Osabarima Kweku Atta II; do vice-ministro da Região Central, Ebo Barton-Oduro; do presidente da Federação Ganesa de Futebol (GFA), Nyantakyi Kwesi; do diretor de desenvolvimento do programa Goal da FIFA na África Ocidental, Sampon Kablan; de Nana Sam Brew Butler, ex-presidente da GFA e presidente do Oguaa Football for Hope Centre; e de Ian Mills, representando a streetfootballworld.

A participação de tantas personalidades confirma a importância da obra para o desenvolvimento esportivo e social da juventude do país. Legado da última Copa do Mundo da FIFA, o centro já é a sexta instalação da campanha 20 Centros para 2010. Ele é gerenciado pela Play Soccer Ghana, uma organização não governamental que promove o desenvolvimento sustentável por meio do esporte de base em 12 locais de um lado a outro do país.

Com o centro, a Play Soccer Ghana quer consolidar as suas atividades, estabelecer presença na área de Cape Coast e funcionar como um polo para o desenvolvimento regional. A bela estrutura que irá atender crianças em Oguaa e arredores está situada no campus da Mfantsipim School, a primeira escola secundária de Gana, construída em 1876. A instituição é o orgulho da cidade e, portanto, o lugar certo para receber o centro. As obras duraram um ano e utilizaram materiais locais, como bambu e tijolos de adobe.

A nova instalação tem comodidades como um minicampo de futebol, vestiários, sala médica e diversas áreas de ensino, como um laboratório, uma biblioteca e um bloco administrativo. Além disso, tem facilidades para pessoas com deficiências. "Temos dois programas para as crianças, um para as de cinco a 14 anos e outro para as de 15 a 22", destaca o gerente do centro, Abdul Wahab Musah. "Com o primeiro grupo, usamos o futebol para ensinar habilidades sociais e de saúde. Com o outro, formamos a Street League para conectar o futebol à qualificação profissional."

Com base na combinação de futebol e ensino, o centro desenvolveu o "Play Soccer Program". Ele é dividido em dois níveis de aprendizagem conforme as fases de desenvolvimento das crianças participantes. O lema é "Jogar para se divertir, e aprender para a vida". A estratégia conectará futebol, saúde e habilidades sociais com um currículo ativo, divertido, gratuito e aberto a todos.

Outro programa é a Street League, um campeonato de futebol de rua que já conseguiu atrair muitos participantes. As pessoas com deficiência também foram levadas em conta, e a Escola de Surdos de Cape Coast foi integrada ao torneio. "É incrível ver como os participantes da Street League são capazes de fazer amizade com os colegas surdos e mudos, trocando mensagens de texto uns com os outros", observa Wahab.

Mais de 200 crianças participaram da cerimônia de inauguração. Vestidas com belas camisetas e orientadas pelos respectivos treinadores, elas eram só alegria enquanto jogavam no gramado artificial. A maioria delas nunca tinha estado em uma instalação desse tipo.

Patrick Eshun, 13 anos, aluno da Escola Secundária Adom A.M.E. Zion, diz que tem a ambição de um dia desempenhar um papel de liderança na sociedade. Ele gosta de futebol e também sonha em vestir as cores da seleção de Gana. "Estou muito feliz por participar do programa", afirma. "Sempre que venho aqui, encontro amigos e jogamos juntos. Depois de jogar, vou à aula para aprender com eles também. Estamos sempre felizes e queremos vir para cá todos os dias. Os treinadores também nos ensinam habilidades de saúde, como a prevenção da malária e como manter o corpo limpo."