
O presidente da FIFA, Joseph S. Blatter, conversou com o FIFA.com neste dia 12 de julho de 2012 sobre o caso ISL. A entrevista foi dada um dia após a sentença do Tribunal Federal Suíço, que permitiu que a Promotoria de Zug publicasse a respectiva documentação.
FIFA.com: O Sr. é o P1?
Joseph Blatter: Sim, sou eu.
Por que todo este anonimato? Assim a especulação nunca vai terminar...
Foi o Tribunal Federal Suíço que decidiu fazer de forma anônima a publicação da ordem de arquivamento do caso ISL. No que tange a mim, o documento inteiro poderia ter sido publicado "limpo", o que poria fim a todas as especulações de uma vez por todas. No entanto, o Tribunal Federal declarou que "todos os terceiros não acusados" permanecerão anônimos. Como não sou acusado, fui mencionado anonimamente como P1, o que, honestamente, não é difícil de descobrir.
Supostamente o Sr. deveria saber.
Saber o quê? Que uma comissão tinha sido paga? Naquela época, pagamentos desse tipo podiam até mesmo ser deduzidos do imposto de renda como despesas profissionais. Hoje, seriam puníveis pela lei. Não se pode julgar o passado com base nos padrões atuais. Do contrário, resultaria em um julgamento de índole moral. Eu não podia ter conhecimento de uma infração que nem era considerada como tal.
O caso foi encerrado do ponto de vista jurídico. Mas não permanece uma questão ética a ser respondida?
É claro. É por isso que começamos a fortalecer os nossos mecanismos de controle, para evitar que algo assim possa acontecer no futuro. O Comitê de Ética, que foi criado em 2006 por iniciativa minha, é um resultado direto do caso ISL. O processo de reforma movimenta-se exatamente nessa direção. Para reforçar o sistema judicial da FIFA, importantes decisões já foram tomadas com a introdução de um sistema bicameral — um órgão com uma câmara de investigação e outra de decisão. O Comitê Executivo nomeará os presidentes das duas câmaras na próxima semana.
Ricardo Teixeira e João Havelange são mencionados na ordem de arquivamento do caso ISL. Teixeira renunciou ao cargo no Comitê Executivo, mas Havelange ainda é presidente honorário. O Sr. vai chamá-lo a prestar contas?
Não tenho o poder de chamá-lo a prestar contas. O Congresso o nomeou presidente honorário. Somente o Congresso pode decidir o futuro dele.