A sede da FIFA
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A sede da FIFA é o quartel-general da entidade máxima do futebol mundial. O espetacular edifício projetado pela arquiteta suíça Tilla Theus também é a sede simbólica da comunidade internacional do futebol, de 208 federações afiliadas e de 270 milhões de jogadores, treinadores, árbitros e outros participantes mundo afora.          

O conjunto — que reúne num só endereço administração, treinamento, conferência, logística e centro esportivo — impressiona pela forma como se harmoniza com o verde circundante. Em respeito ao ambiente, a floresta remanescente e as áreas de recreação foram mantidas intactas.              

O ponto de partida do projeto foi a visão e o desejo da FIFA de promover e implantar, de modo simultâneo e pioneiro, sustentabilidade, flexibilidade e eficiência energética. A sede da FIFA impressiona pela imponência, transparência, leveza e elegância. As paredes de contorno intencional e a rede inclinada e oblíqua de faixas de alumínio que cobre a estrutura fornecem uma dinâmica análoga à do futebol, ao mesmo tempo em que oferecem sofisticada proteção contra o sol.               

O caráter representativo da sede da FIFA é enfatizado pela escolha e utilização de materiais ao mesmo tempo simples e elegantes. As propriedades desses materiais e, em especial, o modo como eles foram engenhosamente manipulados, resultaram em um padrão artístico de alta qualidade e esplendor.        

O edifício é dividido de acordo com princípios funcionais. A parte frontal contém o foyer, o auditório, os escritórios da administração e as salas de conferência dos andares de subsolo; o corpo do edifício sedia os escritórios restantes, assim como a garagem subterrânea, as salas de almoxarifado e outras instalações.   

Com áreas para sentar, o foyer dá acesso ao pátio interno e às salas laterais, assim como ao parque e aos campos de futebol. A maior qualidade é a amplidão estruturada pelo elemento do espaço. O objetivo é fazer com que todos se sintam bem-vindos e que grupos numerosos não se sintam comprimidos.              

O parque: mescla intercontinental
O principal elemento do projeto da paisagem externa é um parque ao sul e ao oeste do prédio, o qual mistura densa vegetação florestal com clareiras e descampados. A trilha serpeante que dá acesso ao parque passa em meio a várias plantas do mundo, oferecendo novos panoramas e impressões do prédio e das redondezas.

O parque é composto de uma mescla de vegetação nativa e exótica, espelhando as atividades da FIFA como entidade que rege o futebol mundial e organiza eventos esportivos globais. Espécies vegetais de todos os seis "continentes do futebol" estão representadas. Uma paisagem de savana representa a África, e um pequeno bosque florido, a Ásia. Imponentes grupos de árvores cobrem uma camada de arbustos em meio a campos de grama alta, retratando a vegetação típica da Oceania. Plantas encontradas em florestas montanhosas representam a América do Sul e o caráter variado, vigoroso e exótico da sua paisagem. A Europa é representada por arvorezinhas e arbustos de porte variável ao longo da borda da floresta nativa, que estende o bosque vizinho até a propriedade da FIFA e une o terreno à paisagem circundante, dominando a fronteira visual.

O tema da vegetação continua no pátio verde, fechado a visitas. O que chama a atenção nesse pátio são oito esculturas que se erguem altaneiras — como se fossem velhas e majestosas árvores — no tapete verde de musgos e samambaias, numa representação das florestas enevoadas da América do Norte.   

O verdadeiro núcleo da estrutura localiza-se no terceiro nível do subsolo. A água e a luz foram conscientemente escolhidas — como no foyer — para enfatizar a importância da área de conferência como o centro nevrálgico da FIFA. A ampla sala de conferência, palco das reuniões do Comitê Executivo com os comitês de trabalho, é iluminada por um enorme lustre de cristal em formato de estádio de futebol. No centro da sala, encravada no piso de lápis-lazúli, está a pedra fundamental da sede da FIFA. Ela consiste em um cubo de concreto com uma bola de futebol de tamanho grande, uma cápsula do tempo com amostras de terra de todos os países membros da FIFA, assim como outros souvenires.   

Perto da sala de conferência situa-se a sala de meditação, com uma concha cintilante de ônix que se amplia à medida que se aproxima do telhado. A sala oferece a adeptos de todas as religiões um local para meditação e contemplação.        

A luz e a iluminação exercem papéis essenciais no edifício, ancorado por cinco níveis subterrâneos. Na escadaria, a luz embasa o movimento dinâmico dos degraus e lança delicados entretons sobre a dureza do granito brasileiro. As cabines dos elevadores brilham como lanternas em meio às torres de suporte.              

Os corredores com apoios cromados emprestam estrutura e luz ao formato alongado do edifício. Essas passagens, também parte do conceito de iluminação artística do americano James Turrell, servem como pontos de orientação. Cada corredor, seja de modo longitudinal ou transversal, conduz à luz com uma vista livre do entorno. Os corredores terminam em saguões amplos, muitas vezes com mezanino.

Além do granito brasileiro — cinza ou preto conforme o corte e processamento — e do azul das lajes de lápis-lazúli (também do Brasil), cores fortes e vivas dão um toque sazonal. Exemplos são a cafeteria, local central do intervalo dos empregados, e o estacionamento do subsolo, com espaço de armazenagem para logística e veículos. Os visitantes que chegam de carro logo na entrada acessam, por meio de uma extensa rampa, o segundo nível do subsolo da sede da FIFA, como também o fazem todos os caminhões de entrega ou coleta de materiais.             

Os campos de futebol (feitos de grama sintética ou de areia, assim como um minicampo) e o centro esportivo com sala para seminários e instalações de bem-estar convidam a praticar o esporte e a fazer um bem ao próprio corpo.

Conceito de energia: ecológico e econômico

A sede da FIFA também é exemplar em termos ambientais. Priorizou-se um conceito ecológico e econômico de energia ligado a instalações modernas, harmoniosamente integradas com a área de recreação próxima.            

Com esse pano de fundo, a FIFA decidiu construir um edifício sem emissão de poluentes. Para isso, optou pela rejeição do uso de combustíveis fósseis e de emissões de CO2, pela adoção de tecnologias energéticas eficazes e pela perfeita integração dos sistemas de aquecimento e arrefecimento. Quando o edifício requer calefação e refrigeração ao mesmo tempo, a bomba de calor aproveita o calor resultante da rede de arrefecimento e o transfere ao sistema de aquecimento.

Na sede da FIFA, a arquiteta, os engenheiros, os chefes de obra, os pedreiros e outros profissionais do ramo da construção civil não se limitaram a cumprir o seu trabalho: eles criaram arte, a exemplo dos edificadores de catedrais e outras grandiosas estruturas de épocas antigas.