
Apesar de o futebol registrar poucos casos de doping, o uso de substâncias proibidas no esporte continua sendo uma grande preocupação para os médicos das federações afiliadas à FIFA. Uma das alternativas para lutar contra o problema é um passaporte que registra o perfil biológico dos jogadores e está prestes a ser adotado. O novo método para combater a dopagem foi debatido durante a Conferência Médica da FIFA realizada nos últimos dias 23 e 24 de maio em Budapeste.
"O jogo desenvolveu-se muito, tornou-se muito mais atlético", afirmou o presidente da FIFA, Joseph S. Blatter, na abertura do Congresso. "O ritmo é elevado principalmente em termos de número de partidas disputadas por temporada", disse o dirigente, lembrando que os jogadores devem ser cada vez mais eficientes. "A luta contra o doping é uma assunto que deve ser levado a sério, pois o fato é que existem trapaceiros."
O médico Michel D'Hooghe, presidente do Comitê Médico da FIFA e membro do Comitê Executivo da entidade, lembrou que a FIFA começou a lutar contra o doping no Mundial de 1970. Desde então, segundo ele, a posição em relação à dopagem é a mesma. "É algo contrário à ética, ao fair play e à integridade do jogador", disse.
Para lutar contra esse mal, a FIFA tem trabalhado em conjunto com a Agência Mundial Antidoping (WADA). Além disso, a entidade tem regras que foram adotadas e devem ser colocadas em prática pelas federações afiliadas. "Desde 2009, estamos em conformidade com o código da WADA", lembrou o professor Jiri Dvorak, diretor médico da FIFA e presidente do Centro de Pesquisa e Avaliação Médica da FIFA (F-MARC).
"As federações afiliadas devem incorporar as regras antidoping da FIFA e ter a responsabilidade de realizar controles antidoping durante as competições e fora do calendário", completou Dvorak, ao explicar que esse trabalho deve ser feito em colaboração com as respectivas representações da WADA no mundo todo.
"Cerca de 30 mil controles são realizados por ano, dos quais 0,3% são positivos", afirmou o diretor médico da FIFA. "Esta é uma das menores taxas de dopagem no esporte, e apenas 0,03% estão ligadas a esteróides anabolizantes." O baixo número de controles positivos, no entanto, não significa que o combate esteja ganho. "Não podemos ser conformistas", prosseguiu Dvorak. "Sabemos que temos de continuar a luta e o próximo passo é a criação de um passaporte de perfil biológico e longitudinal. Vamos colaborar com a WADA nessa batalha e precisamos do apoio dos clubes e dos jogadores."
Os chamados passaportes biológicos armazenarão informações sobre os atletas. "É um perfil ao mesmo tempo individual e longitudinal", afirmou o médico Martial Saugy, diretor do Laboratório Antidoping da Suíça. "Por exemplo, uma injeção de EPO sintético visa aumentar o número de glóbulos vermelhos no sangue. No passado, medíamos o aumento da taxa de hematócritos de maneira pontual. Ao medirmos o nível de hemoglobina em momentos diferentes, poderemos obter um perfil com medições mínimas e máximas para cada indivíduo", explicou o suíço.
Saugy, que conduziu um estudo piloto sobre o assunto durante a Copa do Mundo de Clubes da FIFA do ano passado, também disse que o mesmo tipo de medição pode ser realizada para descobrir o nível de esteróides.
Segundo o diretor-geral da WADA, David Howman, o principal objetivo é garantir que o Código da agência seja cumprido. "Para pegarmos os trapaceiros, devemos ter certeza de que as regras em vigor são eficazes", disse. "Precisamos ter certeza de que todos estão bem informados sobre o assunto e de que usamos os nossos recursos com sabedoria. Para mim, é importante ressaltar que queremos mais conscientização e menos testes, e que os nossos esforços são pela qualidade, não pela quantidade."
Howman parabenizou a FIFA pela iniciativa de adotar o passaporte biológico, dizendo que o método, "além de ser uma incrível arma na luta contra o doping, é uma ferramenta importante para monitorar a saúde dos jogadores". Dvorak, por sua vez, afirmou que a agenda de implementação do novo método já está definida. "O objetivo é lançar o passaporte biológico para as equipes que se classificarem à do Mundo da FIFA 2014."




