O peruano Claudio Pizarro virou ídolo no futebol alemão. O atacante do Bayern acaba de bater um novo recorde: depois de ser o maior artilheiro estrangeiro da história da primeira divisão do país, com 160 gols, ele também se transformou no jogador de fora da Alemanha a ter disputado mais partidas pelo certame, tendo entrado em campo em 337 oportunidades.

Por outro lado, nem tudo é felicidade para Pizarro quando o assunto é a seleção peruana. Na rodada mais recente das eliminatórias para o Brasil 2014, o Peru esteve muito perto de derrotar a Argentina e chegar a seis pontos em dois jogos, mas acabou cedendo o empate em 1 a 1 por causa de erros de pontaria e de um pênalti perdido pelo próprio capitão no início da partida.

A poucos dias de tentar buscar os pontos perdidos em viagens à Bolívia e ao Paraguai, Pizarro concedeu entrevista exclusiva ao FIFA.com para falar sobre o momento atual e de um sonho que ainda pretende realizar: levar o seu país de volta à Copa do Mundo da FIFA após 32 anos de ausência.

FIFA.com: Você acaba de bater um novo recorde no Campeonato Alemão. Imaginava algo assim quando saiu do Peru pela primeira vez, em 1999?
Para falar a verdade, não. Quando eu saí do Peru, tinha sonhos e objetivos, como ganhar títulos importantes e chegar a um grande clube, mas para ser sincero nem passava pela minha cabeça que eu pudesse bater recordes assim. É algo que me enche de orgulho desde já.

Dessas 337 partidas, você se lembra de alguma em particular? 
Sempre existem jogos especiais, mas destaco a vitória por 5 a 2 sobre o Bayern em Munique quando eu estava no Werder Bremen. Eu tinha jogado muitos anos no Bayern, e aqueles cinco gols que fizemos lá vão ficar para a história. Outro exemplo poderia ser a minha primeira partida como titular na Bundesliga: também com o Bremen, ganhamos do Kaiserslautern por 5 a 0. Fiz um excelente jogo e marquei um gol. 

Qual é a sensação de ter aberto as portas da Europa aos outros jogadores peruanos?
Ter contribuído com o desenvolvimento internacional do futebol peruano é muito especial. É motivo de muita alegria ver outros peruanos competindo nas melhores ligas europeias. O nosso futebol precisa cada vez mais que jogadores emigrem à Europa para adquirirem essa experiência internacional tão necessária para a nossa seleção.

Falando da seleção, o empate com a Argentina deixou um sabor amargo?
Sem dúvida, acreditamos que poderíamos ter vencido aquele jogo. Era muito importante obter os seis pontos, pois não estávamos em boa posição na tabela. No entanto, os quatro pontos conquistados reforçam muito a nossa confiança e as possibilidades de continuar sonhando com a Copa do Mundo.

Não lhe parece que o Peru merece mais pontos que os sete que tem atualmente?
Sim, acreditamos que a nossa seleção é muito boa quando temos todos os jogadores. Infelizmente, faltaram jogadores importantes na maioria das partidas, e foi difícil fazer a reposição. 

Após a partida contra a Argentina, você foi muito criticado no Peru pelo pênalti defendido por Sergio Romero. Como recebeu aquelas reações?
Situações assim são comuns no futebol. Encarei com tranquilidade. Quando as coisas não vão bem, há críticas. É normal. Mas tenho experiência e sei como lidar com essas situações.

Que análise você faz do seu desempenho individual nestas eliminatórias?
As coisas não estão acontecendo como eu esperava, mas tenho total certeza de que vão melhorar. É muito importante que a gente chegue nas melhores condições para todas as partidas que ainda restam nestas eliminatórias.

Sergio Markarián disse que, no Peru, diante do primeiro resultado negativo, já se gera imediatamente uma onda de pessimismo entre os torcedores. Vai ser positivo jogar as duas próximas partidas fora de casa?
Quando não conseguimos os resultados em casa, a torcida fica impaciente e perde a confiança na seleção. Mas acho que temos um público fantástico quando as coisas vão bem. Os jogos em casa são fundamentais para alcançar a tão desejada classificação, e por isso precisamos da torcida do nosso lado. Quanto a jogar como visitante, sempre é complicado, mas do jeito como as coisas estão vai ser importante conseguir pontos fora. Acreditamos que vamos nos sair bem.

Nas visitas a Bolívia e Paraguai, quantos pontos deixarão Claudio Pizarro contente?
A ideia é ganhar tudo sempre, e acho que os seis pontos são possíveis, mas não vai ser nada fácil. Para conseguir a classificação, é muito importante ganhar em casa, e já perdemos pontos importantes nessa condição. Agora precisamos recuperá-los como visitantes.

Quais são as seleções mais fortes do torneio?
Argentina e Uruguai têm as maiores chances de classificação, e a Colômbia está passando por um bom momento. Vai ser muito equilibrado até o final. As seleções que mantiverem um bom desempenho e uma boa regularidade vão obter a classificação.

É utópico imaginar que o Peru poderá fazer parte desse grupo?
Tenho plena convicção de que podemos conseguir e acho que o povo do Peru também está começando a acreditar. O caminho vai ser difícil, mas estamos preparados para o restante destas eliminatórias.

Para nos despedirmos, gostaríamos de saber quais são os sonhos que ainda você pretende realizar com a seleção aos 33 anos...
Já disse muitas vezes e repito: tenho o sonho de chegar à Copa do Mundo da FIFA com a minha seleção. É isso que vamos tentar conseguir.