A Nigéria vem sendo uma espécie de revelação do Azerbaijão 2012: confiante, impossível de parar no ataque e veloz. Porém, quando o selecionado africano entrar em campo nesta quarta-feira, dia 3 de outubro, para enfrentar a França pelas quartas de final, o técnico Peter Dedevbo pretende levar a campo uma equipe ainda mais perigosa.

As nigerianas exibiram a impressionante marca de 15 gols a favor em três jogos pelo Grupo A. No entanto, a maioria saiu na sacolada por 11 a 0 sobre a seleção anfitriã, enquanto nas outras partidas as jovens africanas estiveram longe de ser eficientes na hora de converter as oportunidades que tiveram. Assim, não é à toa que este é o problema que Dedevbo pretende eliminar antes do compromisso pelas quartas.

"Nós criamos chances e isto é o mais importante. Afinal, existem times que jogam bem, mas não encontram oportunidades. Sem isso, não se marcam gols", lembrou o técnico nigeriano, em entrevista ao FIFA.com. "Estou contente porque ao menos minha equipe está criando chances. Mas o que queremos fazer é trabalhar ainda mais duro para conseguir as oportunidades e também convertê-las."

Não sabemos quantas chances teremos contra a França, mas, se criarmos cinco oportunidades, queremos converter quatro.

Os números corroboram a frustração do treinador. Apesar de 15 gols serem uma cifra mais do que positiva – o Canadá, que se classificou em segundo na mesma chave, balançou a rede apenas três vezes –, a seleção nigeriana somou a monumental quantia de 92 chutes. Destes, apenas 47 foram a gol – quatro deles na trave, diante das canadenses, sem contar os inúmeros gols feitos que acabaram sendo perdidos contra as azerbaijanas.

"Em nosso primeiro jogo, contra o Canadá, tivemos todas as chances do mundo, mas as desperdiçamos. Depois daquele encontro, voltamos à estaca zero para trabalhar nas finalizações. Isso de alguma maneira deu resultado contra o Azerbaijão", contou Dedevbo.

"Se existe algo que quero manter nas quartas de final é continuar melhorando nossa qualidade diante da meta adversária. Não sabemos quantas chances teremos contra a França, mas, se criarmos cinco oportunidades, queremos converter quatro", resumiu.

Dedevbo conta com essa eficiência para não ver seu conjunto cair na mesma fase em que foi eliminado em Trinidad e Tobago 2010, quando ele também era o treinador. Na ocasião, a Nigéria perdeu para a futura campeã Coreia do Sul em um épico 6 a 5 que durou duas horas. Foi um jogo em que sua seleção também foi superior em número de chutes a gol, mas saiu derrotada pelo excesso de erros no ataque.

As jovens Sarah Nnodim e Oluchi Ofoegbu disseram ao FIFA.com no início do torneio que haviam aprendido com os erros cometidos naquele encontro de dois anos atrás. Dedevbo, por sua vez, também acha que amadureceu desde aquele momento. "A Copa do Mundo de Trinidad e Tobago realmente me fez mudar de opinião sobre o futebol feminino e sobre as competições de nível mundial. Perdemos nas quartas de final, mas, aqui no Azerbaijão, fizemos o que podíamos para corrigir os pontos que causaram aquela derrota", explicou.

Em compensação, Dedevbo tem a seu favor o fato de contar com duas das artilheiras do torneio, Halimatu Ayinde e Chinwendu Ihezuo. Esta tem seis gols e deu o passe para outros cinco. "Estou satisfeito com as atuações de ambas. É ótimo que as duas estejam fazendo gols e passando a bola para que outras marquem os seus", comentou o técnico.

A rapidez e a força das nigerianas são uma verdadeira dor de cabeça para qualquer adversária, mas a agilidade e a criatividade das francesas serão uma tarefa muito mais árdua para as africanas do que qualquer outra que tenham enfrentado até o momento. Afinal, as europeias vêm calejadas de encontros difíceis, após saírem de um Grupo B muito disputado, no qual deixaram para trás ninguém menos do que os Estados Unidos.

Mesmo assim, Dedevbo deixou claro que irá com confiança para a partida no Estádio 8 Km. "Respeitamos todas as seleções que se classificaram para este Mundial, mas também gostaria que elas nos respeitassem. Minha equipe é boa o suficiente para enfrentar qualquer adversária. Quanto às francesas, elas têm uma qualidade enorme. Mas, quando as enfrentarmos pelas quartas de final, queremos mostrar um conjunto diferente em relação àquele que jogou contra a Colômbia", concluiu.