Nascido em Dublin, Eamon Zayed disputou a Copa do Mundo Sub-20 da FIFA Emirados Árabes 2003 com a camisa da seleção irlandesa. O atacante, que também possui nacionalidade líbia, brilhou na campanha do clube iraniano Persepolis até as oitavas de final da Liga dos Campeões da Ásia 2012.

Após a eliminação da equipe na mais badalada competição de clubes do continente, o jogador de 28 anos virou ídolo em Teerã e ganhou dos torcedores o apelido de Mister Hat Trick, em referência aos inúmeros jogos em que anotou três gols, tanto pelo Campeonato Iraniano quanto pelo torneio asiático.

O FIFA.com teve a oportunidade de conversar com Zayed sobre as suas atuações na Liga dos Campeões da Ásia, a adaptação ao futebol iraniano e o sonho de participar da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014 com a seleção da Líbia.

FIFA.com: Você está completando dez anos de carreira este ano. Quais foram os pontos altos da sua trajetória como jogador profissional até aqui?
Eamon Zayed:
Vivi muitos momentos mágicos durante estes dez anos e continuo sentindo o mesmo prazer quando estou dentro de campo. A minha melhor lembrança talvez seja a Copa do Mundo Sub-20 da FIFA que disputei com a seleção da Irlanda. Passei a maior parte da minha carreira nesse país e tive a felicidade de conquistar vários títulos e prêmios individuais. Fui eleito a revelação de 2003 pelos próprios jogadores e, oito anos depois, fui escolhido o melhor jogador da liga nacional, além de ter sido artilheiro.

Considera os prêmios de artilheiro e melhor jogador de 2011 as suas principais conquistas individuais até o momento?
O ano de 2011 foi muito especial para mim. Fui para o Derry City e reencontrei o prazer de jogar. A temporada foi fantástica, porque ganhei os três títulos que faltavam para o meu currículo. Foi simplesmente inesquecível.

Por que escolheu o Irã e o Persepolis para a sequência da sua carreira?
Os dirigentes do clube me procuraram após a minha bela temporada de 2011 com o Derry. Inicialmente, a ideia de jogar no Irã não me seduzia, mas acabei mudando de opinião depois de conversar com compatriotas irlandeses que moravam no país. O Persepolis é um dos clubes mais famosos da Ásia e tem milhões de torcedores. Fiquei convencido de que não me arrependeria da minha decisão.

A torcida do Persepolis o apelidou de Mister Hat Trick, após os diversos jogos em que você marcou três gols. Isso o deixa envaidecido?
Não há nada mais bonito do que fazer um gol. Marquei muitos desde que comecei a minha carreira, e posso dizer que garantir uma vitória para o time é algo excepcional. É muito difícil encontrar o caminho das redes, e talvez isso explique por que os atacantes são tão caros. Os torcedores do Persepolis são fantásticos e dão outra dimensão ao clube. É uma honra receber um apelido como esse. Onde quer que eu vá, as pessoas fazem o número três com os dedos. Acho isso o máximo.

Você brilhou na Liga dos Campeões da Ásia ao marcar cinco gols em seis partidas. Como avalia o seu desempenho na competição?
Jogar e fazer gols na Liga dos Campeões é incrível. Se há um ano me tivessem dito que eu disputaria esse campeonato e ainda deixaria a minha marca, nunca teria acreditado. Anotar cinco gols em seis jogos não é pouca coisa. Infelizmente, tivemos uma atuação ruim na Arábia Saudita, contra o Al Ittihad, pelas oitavas de final. A vitória adversária foi amplamente merecida. De uma forma geral, porém, posso dizer que essa primeira experiência na Liga dos Campeões da Ásia foi bem sucedida para mim.

Você fez belas temporadas na Europa com os irlandeses Drogheda e Sporting de Fingal. Qual é a diferença entre as competições europeias e as asiáticas?
Tive a felicidade de disputar a Liga Europa, a Liga dos Campeões da UEFA e a Liga dos Campeões da Ásia, tendo feito gols em todas elas. Acho que os torneios europeus são mais exigentes fisicamente. O forte calor asiático, especialmente no Oriente Médio, talvez explique a lentidão do jogo, embora a Liga dos Campeões tenha um ótimo nível técnico. As equipes europeias, no entanto, têm uma inteligência tática maior, por isso são as melhores do mundo.

Vamos falar um pouco da seleção da Líbia, que largou muito bem nas eliminatórias para a Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014, com uma vitória sobre Camarões e um empate com o Togo. Quais são as chances do país no grupo, que também conta com a República Democrática do Congo?
É uma chave difícil, na qual vejo Camarões como favorito. Mas, depois das duas primeiras partidas, acreditamos que podemos nos classificar. Nada é impossível no futebol. Se conquistarmos a vaga, será um grande feito para o nosso país, após tudo o que tem acontecido.

Você acha que a Líbia ainda pode se classificar para a Copa Africana de Nações 2013, após a derrota por 1 a 0 para a Argélia no mês passado?
Não será fácil, porque teremos de vencer os argelinos fora de casa. Apesar da derrota, vale lembrar que tivemos muitas chances de gol. Espero que a seleção seja mais feliz na Argélia.

Você ainda não recebeu a autorização para defender a Líbia. Se a situação for resolvida, acredita que conseguirá participar das eliminatórias para a CAN e para a Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014?
Espero que as coisas evoluam antes da partida de volta (contra a Argélia), para que eu possa ajudar a Líbia a conquistar a vaga na CAN. Sei que posso contribuir muito para a seleção. Se eu honrar o apelido e fizer três gols, acho que será suficiente para garantir a classificação (risos).