"Tradicionalmente, o Azerbaijão apresenta uma grande mistura de civilizações e culturas, e é um lugar que marca o encontro entre o Ocidente e o Oriente", observou o presidente da FIFA, Joseph S. Blatter, durante uma coletiva de imprensa realizada um dia antes do pontapé inicial da Copa do Mundo Feminina Sub-17 da FIFA 2012. "A realização de um Mundial Feminino neste país mostra para a região e para o mundo que o futebol está aberto a todas as culturas e civilizações." De fato, o público que compareceu aos estádios de Lankaran e Baku comprova as observações do suíço.

As partidas do Azerbaijão 2012 reuniram em média 7.291 espectadores, estabelecendo um novo recorde para Mundiais da categoria. Neozelandeses, nigerianos, canadenses, colombianos e torcedores dos quatro cantos do globo viajaram ao país do Cáucaso para apoiarem as respectivas seleções. Além disso, o espetáculo promovido pelos tambores africanos, pela alegria chinesa e pela cantoria americana, por exemplo, contagiou os azerbaijanos.

"A viagem durou quase dois dias", conta Fatou Secka, que supervisiona um grupo de torcedores gambianos formado por quase 50 pessoas. "Tivemos de passar por Senegal, Marrocos e Turquia para chegarmos a Baku, mas o principal era não perdermos os primeiros jogos da Gâmbia no Mundial", acrescenta a torcedora. "Não me arrependo de ter vindo", completa Mutar, com os braços trêmulos após 90 minutos de batucada. "Ver as meninas jogarem com esse sorriso, apesar das derrotas, é suficiente para me deixar feliz."

Claro que, para esses torcedores apaixonados, o périplo pelo Azerbaijão tem um valor inestimável, mas também um preço. "Mas é só uma vez na vida", pondera a americana Kim von Dran, mãe da goleira americana Cassie Miller, que viajou para torcer pela filha acompanhada da própria mãe, Virginia. "Estamos muito contentes de estar aqui, e a cidade é magnífica", comenta a vovó, vestida de azul, vermelho e branco dos pés à cabeça, vinda diretamente da cidade de Phoenix, no Texas, a 11.600 quilômetros de Baku.

Família FC
Já a zagueira neozelandesa Meikayla Moore veio de mais longe ainda, e desembarcou na capital azerbaijana com a família inteira: a mãe Donna, o pai Bruce, a irmã Danielle e os avós Monica e Robin. Os tios Phil e Debbie também vieram de Christchurch, a cerca de 15 mil quilômetros da nação caucasiana. "Não perdemos nenhum jogo dela, mas é a primeira vez que viajamos tão longe", diz Donna. "Aliás, mais longe do que isso não dá", brinca.

O canadense Larry Pongetti — pai de Rebecca, a camisa 14 do Canadá — também não pensou duas vezes antes de encarar 20 horas de voo para apoiar a filha. "Não perderia esse momento por nada no mundo", diz ele, nervoso no intervalo da partida contra o Azerbaijão. "Tenho muito orgulho da minha filha. Ela começou a jogar futebol com quatro anos, e sonhava em vestir a camisa do país numa Copa do Mundo. É uma satisfação para mim vê-la realizar esse sonho."

As equipes sul-americanas também contaram com o carinho da torcida em solo azerbaijano. "É a primeira vez na vida que vejo um jogo no estádio", vibra Juan Sebastián, de 11 anos, vestindo com orgulho um uniforme da Colômbia autografado por todas as jogadoras da seleção sub-17. "É bem melhor do que na televisão", compara. "Sou colombiano, mas trabalho para uma empresa multinacional aqui em Baku", explica Eduardo, pai do garoto. "Não perdemos nenhuma partida das meninas. É sensacional que esta Copa do Mundo esteja sendo organizada em Baku. O clima é fantástico. Ver a seleção colombiana em Baku é como ter um pedacinho do meu país aqui."