
O presidente da FIFA, Joseph S. Blatter, inaugurou oficialmente nessa quinta-feira, 19 de abril de 2012, a cátedra de Regeneração de Cartilagem no Instituto Federal de Tecnologia Suíço (ETH) em Zurique, indicando com isso o início de uma nova etapa na frutífera colaboração entre a FIFA e o ETH. Blatter foi acompanhado pelo professor Jiri Dvorak, diretor médico da FIFA e presidente do Centro de Pesquisa e Avaliação Médica da FIFA (F-MARC).
Como parceiros de pesquisa e colaboradores, o ETH e a FIFA unem as suas competências e, dessa forma, se beneficiam mutuamente. "A ETH fortalece a sua prioridade em pesquisas de tecnologia medicinal e saúde, e a FIFA ganha conhecimentos técnicos para o proveito da família do futebol em todo o planeta", afirmou Blatter durante o debate que se seguiu sobre os temas esporte e saúde. "Tenho confiança de que em breve poderemos anunciar vários avanços medicinais em regeneração de cartilagem e no desenvolvimento conjunto de projetos de pesquisa."
"A sáude dos jogadores merece toda a atenção"
Durante o debate, no qual também falaram Jiri Dvorak, o técnico da seleção suíça, Ottmar Hitzfeld, e os professores do ETH Robert Riener e Viola Vogel, uma das questões mais discutidas foi se os jogadores voltam para os gramados cedo demais após contusões. "Com a implantação do programa de prevenção FIFA 11+ podemos diminuir o número de lesões em cerca de 30 a 50% não apenas no futebol profissional, mas também no amador", afirmou Dvorak.
Durante o evento, foi respeitado um minuto de silêncio pela trágica morte do jogador italiano Permario Morosini, de 25 anos, que no último sábado morreu após uma parada cardíaca durante partida da segunda divisão do Calcio entre Livorno e Pescara. Em relação a isso, o presidente da FIFA afirmou categoricamente que "a saúde dos jogadores deve ser um ponto central e exige toda a atenção".
Disputar 50, 60 ou até 70 jogos por temporada não é nenhuma raridade para os profissionais de alto nível. "Faz sentido jogar cada vez com mais frequência e com intervalos cada vez mais curtos?", questionou Blatter, apontando para a responsabilidade de dirigentes, inclusive dele próprio, pela saúde dos jogadores. "Onde estão os limites do desgaste corporal e físico? Talvez isso faça sentido financeiramente, não sei, mas com certeza nem sempre é saudável e sensato."
Fortalecimento do compromisso
Historicamente, os projetos de desenvolvimento da FIFA sempre se preocuparam com a questão da saúde. Programas como o Goal, o Grassroots, o Football for Hope e o 11 for Health também incluem aspectos desse abrangente e complexo tema. Outro projeto que se preocupa muito com essa questão é o 2010 FIFA World Cup Legacy Trust, que na quarta-feira iniciou completamente as atividades na sede oficial da Federação Sul-Africana de Futebol (SAFA) em Johanesburgo.
"A popularidade do futebol será utilizada como plataforma nas escolas para despertar a consciência a respeito de um estilo de vida saudável, contribuindo ativamente para a melhoria da saúde do povo e a redução de custos na área", explicou Dvorak. "Até o momento, o programa já foi implantado com êxito em 11 países africanos e dois latino-americanos. Para mim, como médico, é um privilégio apoiar esse projeto."
"Todos os anos, investimos centenas de milhões neste e em outros projetos", afirmou Blatter. "Queremos fortalecer ainda mais esse compromisso, pois, devido ao grande avanço do futebol, ao número cada vez maior de partidas profissionais e aos avanços da medicina, a área de pesquisas está se tornando cada vez mais importante na visão da FIFA." Com isso, o presidente da entidade máxima do futebol está pensando nos milhões de jovens jogadores de futebol em todos os continentes a quem o esporte mais popular do planeta traz perspectivas e alegria.
Investimentos em longo prazo
Há aproximadamente 20 anos a FIFA apoia a colaboração com instituições acadêmicas intensivamente em pesquisas sobre medicina do esporte. Mas agora o objetivo é redobrar os esforços para não apenas evitar o máximo de lesões possíveis, mas também acelerar a recuperação dos atletas. O Centro de Pesquisa e Avaliação Médica da FIFA (F-MARC), associado à Clínica Schulthess em Zurique, representa o carro-chefe da FIFA neste contexto e oferece importantes contribuições para investigar formas de evitar e minimizar contusões no esporte.
Há alguns anos, o F-MARC vem trabalhando com sucesso juntamente com o ETH. "A parceria em pesquisas sobre regeneração de cartilagem com o ETH é uma consequência lógica, que agora queremos fortalecer com a criação da cátedra apoiada por nós."
Um serviço à sociedade
Ninguém questiona a importância das pesquisas, especialmente em face de constantes problemas médicos relacionados ao sistema locomotor humano: osteoporose, artrose, dor nas costas e reumatismo são algumas das doenças mais comuns para pessoas de idade. Com o seu compromisso, a FIFA quer contribuir para pesquisas de base benéficas para todos e também para o futebol.
"O meu grande desejo é que a FIFA, com todo o seu empenho, contribua para que a ciência faça grandes progressos nos próximos anos em pesquisas com cartilagem e em pesquisas gerais com artrose", afirmou o presidente da FIFA. "Com isso, estaríamos prestando um grande serviço à sociedade, às pessoas mais jovens e às mais velhas, de todos os níveis sociais em todos os continentes."
Segunda conferência médica da FIFA
O engajamento da FIFA na área da saúde estará no centro das atenções nos dias 23 e 24 de maio. Nessas datas, importantes autoridades e médicos das 208 federações afiliadas à FIFA se reunirão para a segunda conferência médica da FIFA em Budapeste para discutirem temas decisivos sobre a medicina e o futebol. O evento ocorrerá imediatamente antes do 62º Congresso da FIFA, que também acontecerá na capital da Hungria no dia 25 de maio.












